Ponto de Situação



Desafios cada vez maiores

A Liga dos Bombeiros Portugueses (LBP), enquanto confederação representativa de todos os Bombeiros Portugueses, das associações e corpos de bombeiros, completa 89 anos de existência no próximo dia 18 de agosto.
Ao longo do tempo, a nossa confederação tem sabido escrever sempre uma história que dignifica os Bombeiros Portugueses e as suas estruturas.
Quando trago à memória essa efeméride quero, em primeiro lugar, lembrar todos aqueles dirigentes que nos antecederam, o seu esforço, a sua dedicação, o seu empenho em nome da mesma causa que hoje abraçamos e, em segundo lugar, enaltecer todos os que foram corporizando o espírito coletivo que a nossa confederação expressa e materializa.
Em quase um século de existência a LBP participou e testemunhou em muitas mudanças registadas na sociedade portuguesa.
E, se hoje a missão que nos cabe à frente da confederação nem sempre é fácil e nem sempre é compreendida, dizem-nos os testemunhos do seu passado que em diferentes momentos da sua história foi também necessário enfrentar situações difíceis como porventura algumas daquelas que temos vivido nos últimos tempos.
O que registo, e que nos fica desse passado, é que a LBP e os seus dirigentes estiveram sempre na primeira linha, não só na defesa dos próprios bombeiros, das associações e corpos de bombeiros, mas da sociedade em geral, já que se há bombeiros é por que, sem qualquer margem de dúvida, a sociedade entendeu e decidiu criá-los. Obviamente que nem todos se disponibilizaram para essa missão. Apenas um punhado deles. Mas em qualquer caso, sublinhe-se, fizeram-no em seu nome e de todos os outros que fazem parte da sua comunidade.
Ser bombeiro é, sem sombra de dúvida, em primeiro lugar, uma decisão individual, do foro íntimo de cada um, muitas vezes também por influência ou tradição familiar. E, em segundo lugar, representa uma decisão coletiva, porque resulta da vontade expressa pela comunidade de apoiar alguns dos seus nessa missão.
Este princípio, direi fundacional, transporta uma carga enorme de sentimentos, de vivências, individuais e coletivas, nem sempre fáceis de interpretar e mensurar por quem está fora ou presta pouca atenção ao assunto.
As associações e corpos de bombeiros são, antes de mais, organismos vivos, onde as vontades se interligam, com raízes eminentemente populares, mas das experiências mais interclassistas que encontramos na sociedade portuguesa ao longo dos tempos.
Na verdade, com uma matriz comum e princípios assentes no carácter voluntário, as associações tem evoluído ao longo do tempo na lógica sempre presente de eficiência na ação, independentemente do facto do bombeiro ser voluntário ou também profissional. A LBP nasceu há 89 anos por decisão dos Bombeiros, das suas associações e corpos de bombeiros para representar todos num mosaico de raízes comuns muitos fortes que, só por si, deram-lhe e continuam a dar-lhe a razão de ser.
A história conta-nos que a criação da LBP teve como objetivo representar e unir todas as nossas estruturas, com a diversidade própria de cada região, comunidade e instituição, mas também com os traços comuns, a matriz e os princípios de que atrás falei que fundamentam e dão sentido e coerência a todo o nosso universo.
Já desde o início da nossa confederação que se falava de crise do voluntariado, naturalmente interpretado à luz de cada época e com base na vivência social de então. Os tempos foram correndo e sempre se falou da mesma questão. Que hoje, com outro enquadramento, porventura mais severo e cirúrgico, se nos apresenta e nos desafia.
Os incentivos ao voluntariado e, em especial, o chamado Cartão do Bombeiro, como súmula e garante de todos eles, têm-nos desdobrado em contactos com sucessivos Ministérios. Não tem sido uma missão fácil, mas de que não desarmamos, poderão estar certos.
Estamos perante muitos constrangimentos com que a sociedade moderna se confronta, de egoísmo, utilitarismo e desinteresse, para garantir descriminação positiva justa e merecida aos seus melhores, pese embora, em palavras todos se desdobrem em elogios aos seus bombeiros. Mas, no entanto, sem materializar os apoios de que eles necessitam para poderem continuar a cumprir a sua missão abnegada. E, a par disso, depois do sacrifício, do tempo, do esforço e do próprio risco que isso acarreta, a garantir para si e para os seus mais próximos os meios diretos ou indiretos para uma vida digna e feliz a que qualquer um tem direito. E aos bombeiros, sublinhe-se, por maioria de razão, tudo isso deve estar garantido.
O nosso compromisso, quando a LBP está prestes a perfazer 89 anos de existência, é continuar a pugnar por tudo aquilo que ajude os nossos bombeiros a ser mais e melhores bombeiros, logo melhores cidadãos, com a dignidade e o respeito que, por si só, devem merecer.