Ponto de Situação



Os números falam e não mentem

Em tudo aquilo que se diga a propósito ou em torno dos bombeiros há dados objetivos e impossíveis de rebater que deitam por terra, a distração de alguns, a aleivosia ou a desonestidade intelectual de outros.
Falo dos números, uma informação precisa e concisa, que diz muito e permite identificar e conhecer muita coisa. Permite identificar, desde logo, a quantidade, mas também a qualidade. Permite identificar a diversidade, a pluralidade e a especificidade e o âmbito e alcance da formação, do treino, das qualificações e das competências de cada um. Tudo isto se aplica, por especial razão, ao universo dos bombeiros portugueses. Todos sabemos que na sociedade portuguesa há grupos sociais que, mercê do marketing e da publicidade, fazem crer ser muitos e fazerem muito. No entanto, quando escalpelizada a sua atividade e mensurado o seu impacto e eficácia verifica-se estar perante um bluff. No caso dos bombeiros, ao invés, os números são uma demonstração clara e inequívoca da sua dimensão e capacidade.
O Recenseamento Nacional dos Bombeiros Portugueses (RNBP), aparte possíveis correções que nele desejemos ver introduzidas, à partida, entre outros, é um elemento fundamental para poder acompanhar a realidade dos nossos operacionais. Os tais grupos que dizem que são e fazem muito negam-se ou evitam sempre identificar-se com dados concretos, números através dos quais possam ser avaliados, analisados e confirmados. Mas, no caso dos bombeiros, o cenário é bem diferente, é rigoroso, é transparente e é totalmente aberto.
Tudo isso, como bem se tem visto, desagrada a alguns, nomeadamente, àqueles que, entre névoas e declarações dúbias, reivindicam para si e para o grupo que dizem representar níveis de representatividade que, no entanto, se furtam sempre a provar. Por isso, até que o provém, e seja até demonstrada a sua credibilidade, terá que ser posta a pretensa identidade institucional a que se arrogam e, a par disso, a razão da sua própria existência, o valor e a sua razão de ser.
São precisamente os números que nos permitem demonstrar que, por exemplo, não obstante o esforço, o risco e a dimensão que o combate aos incêndios florestais representa, de facto, diz apenas respeito a sete por cento da atividade de socorro das associações e corpos de bombeiros. Se não fossem os números, porventura, far-se-ia uma leitura enganosa permitindo concluir erradamente o contrário.
São precisamente os números que nos permitem demonstrar que os bombeiros asseguram 98 por cento do transporte programado de doentes, perto de 90 por cento do socorro pré-hospitalar acionado através dos centros de orientação de doentes urgentes (CODU) do INEM ou, até, 100 por cento dos incêndios urbanos, industriais, acidentes de viação e outros sinistrados ocorridos em quaisquer circunstâncias, lugar ou nível de risco. E é precisamente o RNBP que nos permite identificar, quem somos, como somos e quantos somos.
E, por aí, são precisamente os números que nos permitem aferir quantos voluntários somos. E, continuando, saber qual foi a sua evolução nos últimos tempos, quantos entraram, quantos prosseguiram e quantos se mantém.