Grandes Destaques


PLANO NACIONAL DE VACINAÇÃO

Bombeiros exigem "transparência e rigor" e ameaçam com queixa na PGR

PLANO NACIONAL DE VACINAÇÃO-Bombeiros exigem

A Liga dos Bombeiros Portugueses (LBP) vem exigir "transparência e rigor no processo de vacinação de todos os bombeiros contra a COVID-19" e vai mais longe ao lamentar, o que classifica, da "anarquia que paira no processo e que faz querer pretender dividir os próprios bombeiros entre filhos e enteados".
Em nota enviada às redações esta noite, a confederação denuncia que "restos de um lote de vacinas destinado a idosos vai ser utilizados na vacinação de bombeiros dos municípios de Palmela e de Setúbal".
A LBP considera não ser aceitável "a intenção de criar exceções, nomeadamente com restos, fazendo crer que os bombeiros são portugueses de segunda" frisando que "reclama há meses a vacinação urgente e generalizada de todos os bombeiros exigindo que lhes seja dada prioridade, não só na defesa dos próprios, mas também para que possam estar em melhores condições de continuar a prestar o apoio e o socorro às populações".
A LBP, sublinha no mesmo comunicado, não estar "contra a vacinação dos bombeiros dos referidos municípios, mas lamenta que os 15 mil que aguardam, pelos vistos, fiquem para trás".
A confederação alega que neste processo "sempre agiu de boa fé e com espírito de cooperação nos contatos com o Governo" e, por isso, lamenta que, "por trás, afinal as coisas estão a ser encaminhadas pelas costas da generalidade dos bombeiros", e desta forma volta a colocar a causa o programa nacional de imunização contra o novo coronavírus.
E assim sendo LBP exige do Ministério da Administração Interna "uma resposta clara e inequívoca sobre o que se está a passar e, caso ela não venha urgentemente esclarecer os bombeiros, e a própria opinião pública, reserva-se o direito de formular uma queixa formal à Procuradoria Geral da República (PGR)".
A terminar a comunicação os bombeiros portugueses consideram ser "merecedores de respeito e consideração e não podem estar sujeitos a práticas nada claras nem transparentes que agora, pelos vistos, pretendem inclusive, não só desrespeitá-los como dividi-los entre quem terá acesso fácil ao Governo e os outros".
Horas depois da denúncia de Jaime Marta Soares, o coordenador da taskforce do Plano de Vacinação veio a público esclarecer as vacinas administradas em Setúbal, nomeadamente em bombeiros, "perder-se-iam" se não fossem usadas, pelo que autoridades optaram pelo "princípio do não desperdício". Ainda segundo Francisco Ramos, esta situação decorreu na sequência de um acidente com uma viatura de transporte de vacinas e ainda que maior parte fosse considerada em bom estado, por indicações do Infarmed, alegando razões de segurança, não puderam sair do hospital de Setúbal e, assim sendo, ou eram administradas naquele mesmo dia "nas pessoas que se encontravam disponíveis ou perder-se-iam".

Sofia Ribeiro
24.01.2021 | 15h51