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Altice recusa renovação do contrato por seis meses

SIRESP-Altice recusa renovação do contrato por seis meses

“A Altice Portugal nunca poderia aceitar a renovação de um contrato desta natureza, por um período de seis meses, pois, se por um lado, pela sua complexidade, a sua execução é técnica e operacionalmente impossível, por outro, um período tão curto oneraria gravosamente o contrato, tornando-o insuportável à luz do rigor e da boa gestão dos dinheiros públicos” é desta forma que a responsável pela manutenção do Sistema Integrado das Redes de Emergência e Segurança de Portugal (SIRESP) (SIRESP) nega ao Governo a pretensão de prolongar o contrato até ao final do ano.
Em nota oficial, a Altice desmente “qualquer tipo de acordo” com o Governo “para a manutenção da rede SIRESP após 30 de junho”, antecipando, desta forma lapidar, as conclusões que uma reunião com o ministro da Administração Interna, que decorre nesta manhã de terça-feira.
Assim sendo, e a não existir entendimento possível, a partir de 30 de junho, Portugal ficará sem uma rede para comunicações de emergência, em plena “época de incêndios”.
Recorde-se que o CEO da Altice, Alexandre Fonseca, na passada semana, alertou para o términus do contrato que mantém ativo o Sistema Integrado das Redes de Emergência e Segurança de Portugal (SIRESP).
Logo depois, o ministro da tutela, Eduardo Cabrita, anunciou uma “reforma profunda” que passaria “pela integração numa entidade de tudo aquilo que são bases de dados, sistemas de comunicação do Ministério da Administração Interna”, sem, contudo, adiantar muito mais.
Na ocasião, Jaime Marta Soares, presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses (LBP), classificou a situação de “muito estranha a preocupante”, até porque, reforçou, o SIRESP é “absolutamente imprescindível” no apoio aos bombeiros, designadamente, no combate aos incêndios rurais. “Seria algo de inaceitável que uma ferramenta destas não estivesse a funcionar”, considerou. O rosto da confederação disse mesmo que não lhe “passa pela cabeça que possa acabar” salvaguardando, contudo, a possibilidade de o governo apresentar uma outra alternativa.
O modelo alternativo preconizado pelo ministro só deve ser apresentado no final do mês de abril, bem como o sucessor general Manuel Mateus Couto, o responsável pelo SIRESP, que, na sequência deste sobressalto, bateu com a porta alegando, no entanto, “razões pessoais”.
Refira-se que, desde 2019, a gestão deste sistema resulta de uma parceria público-privado com a Altice e a Motorola.

Sofia Ribeiro
20.04.2021 | 12h00