PUB

Capa do jornal "Bombeiros de Portugal"

Director: Rui Rama da Silva

segunda-feira,

23/10/2017

07:20

LISBONENSES

Parques subterrâneos causam preocupações

01/10/2014 14:55:15

Os Bombeiros Voluntários Lisbonenses são uma das seis associações humanitárias da cidade de Lisboa e nasceram da dissidência ocorrida em 1910 nos Voluntários de Lisboa.


Texto: Rui Rama da Silva

Fotos: Marques Valentim

BP30_24.jpg

Em tempos idos foram pioneiros no uso do meio automóvel no serviço de incêndios. Desde 1959, ininterruptamente, dão apoio a atividades desportivas, incluindo desde a fundação do antigo Estádio da Luz. Continuam a acreditar na possibilidade de construir um novo quartel a concretizar nos próximos 3 anos, apesar das falsas partidas do passado.

Entre as suas principais preocupações estão os parques subterrâneos para estacionamento de viaturas e a inexistência de viaturas próprias para intervenção naqueles espaços, razão pela qual estão a desenvolver um projeto precisamente para colmatar essa falta. O comandante Jorge Fernandes admite muito em breve poder ter novidades nesse domínio.

Os Lisbonenses nasceram em 1910 e foram instalar-se, na Rua Flores, num antigo quartel dos Voluntários de Lisboa. Passados quatro anos instalaram-se na Avenida Duque Loulé, já próximo do atual quartel da Rua Camilo Castelo Branco. Em 1921 adquiriram o terreno que ainda hoje ocupam. O primeiro quartel ali erguido foi inaugurado em 1925. O atual quartel resulta da sua remodelação e ampliação em altura em 1946. Hoje é a única Associação de Lisboa proprietária das suas instalações.

BP30_24_2.jpgO presidente da direção, Manuel Garcia, e o comandante Jorge Fernandes não estão contra a sua localização mas sim contra a impossibilidade de ampliá-lo de modo a garantir melhores condições aos bombeiros e a proteção das viaturas, a maioria das quais a permanecer no exterior e, por consequência, a degradarem-se facilmente.

Um novo quartel chegou a ser um horizonte, à primeira vista, visível em 1989, com a cedência de um terreno em Sete Rios pela Câmara Municipal de Lisboa.

Que a construção do Eixo Norte-Sul e outras vicissitudes acabaram por inviabilizar. Hoje permanece no local uma casa - escola fantasma entretanto construída. Das terraplanagens ali também feitas na altura ficaram apenas as memórias ténues.

Em 2000, foram retomados os contactos com a Autarquia, continuados em 2005, para a cedência de um novo terreno, agora na zona do Rego. Segundo o presidente e o comandante a ideia não morreu mas também não ganha velocidade.

O presidente Manuel Garcia lamenta a perda de muitos candidatos a bombeiros que, perante a falta de condições dos Lisbonenses, “acabam por optar em ir para outras associações, até fora de Lisboa”.

BP30_24_1.jpgSegundo o comandante Jorge Fernandes, os 68 elementos que compõem o corpo de bombeiros “podem não ser os suficientes ou desejáveis mas, sem dúvida, são os que temos e quem confiamos para darmos a resposta necessária”. Aquele responsável está esperançado na nova escola de 14 elementos e acredita poder dar a volta à situação que herdou. “O corpo de bombeiros sofreu uma destruturação grave que vai demorar a corrigir, mas é isso que já estamos e vamos continuar a fazer”, garante aquele responsável.

Não têm escola de infantes e cadetes, não têm, mas já tiveram, equipa de manobras. E querem voltar a ter, até por que têm formadores internos que fazem parte do júri nacional das manobras. Não têm pessoal para a fanfarra mas é objetivo já traçado poder retomá-la.

Aos fins de semana “levamos o quartel para o futebol”, admite o comandante Jorge Frenandes. Por opção, apenas fica guarnecida a central de comunicações já que todos os meios migram para junto dos estádios, “para intervir no seu interior ou no exterior de forma concertada”.

Manuel Garcia elogia a prestação do comandante, por ter “posto a mexer, a mexer bem o corpo de bombeiros”, reconhecendo também que “o grau de exigência também aumentou”. Situação que, admite, “constitui, sem dúvida, um enorme desafio e também um estímulo”, para que se procurem e encontrem novas formas de ultrapassar as dificuldades de sustentabilidade com que vivem.

O comandante sublinha a importância do investimento feito no dispositivo de apoio aos estádios, quer do Benfica, quer do Sporting, este resgatado recentemente à Cruz Vermelha. Jorge Fernandes lembra que há um ano só contavam com o material que estava nas viaturas mas que agora o apoio às bancadas é feito em 9 postos fixos com material próprio e suficiente para garantir a sua autonomia e mobilidade própria. O comandante lembra a recente Final da Liga dos Campeões na Luz como a prova de fogo do novo dispositivo delineado para este tipo de intervenções. Nesse dia, responderam a mais de 50 incidentes, mais do que os verificados no mesmo dia no exterior em toda a capital.

A sua equipa de “bikes” acabou por intervir dentro e fora do recinto, incluindo no Colombo. Recorreram ao mesmo número de bombeiros apenas acrescidos de mais médicos e enfermeiros que o habitual. “Foi um verdadeiro teste à exigência, ainda maior, feita a nós próprios”, reconhece Jorge Fernandes.

Para ele, “tudo passa também pela formação, um objetivo fundamental em que temos apostado com resultados muito concretos nas diferentes vertentes” mas lamenta, por exemplo, que a área do desencarceramento “seja um exclusivo do Regimento de Sapadores Bombeiros (RSB)”. Presidente e comandante dos Lisbonenses reconhecem que “o relacionamento com o RSB já conheceu dias melhores, já que muitas vezes só nos chamam quando estão para ir embora…”. Recordam que, no passado “as coisas eram de igual para igual mas agora é o chamado chega para lá”.

“Se a vontade é acabar com os bombeiros voluntários na cidade de Lisboa então a Câmara que o diga”, desafia Manuel Garcia, enquanto o comandante lamenta que não queiram “que tenhamos serviço de incêndio, quando essa foi de facto a nossa génese, apesar de ninguém o dizer abertamente”.

BP30_24_3.jpg“Não somos concorrentes, queremos é ser parceiros, como é natural e útil para a cidade e para os cidadãos, mas pelos vistos não está a ser possível”, defende Jorge Fernandes.

Vem a talhe de foice um protocolo assinado em 2008 com a Câmara de Lisboa, ainda por cumprir, com promessas, no caso dos Lisbonenses, de um autotanque e uma viatura ligeira de combate a incêndios “mas de que hoje ninguém quer falar”.

O presidente da direção, Manuel Garcia, reconhece que, “não temos dívidas, temos tudo em dia, o que é muito bom, mas só isso não chega para garantir a sustentabilidade de estruturas como esta ou tantas outras”.

O comandante Jorge Fernandes promete não baixar os braços e lutar pelo apadrinhamento dos bombeiros pelas empresas, pela concretização do programa de desfibrilhação interno e pela obtenção da viatura própria para intervir nos parques de estacionamento subterrâneos”.

PUB