BATALHA
Novo ciclo traz mudanças
05/02/2016 10:36:48
Nos últimos dois anos, a Associação Humanitária dos
Bombeiros Voluntários da Batalha tem vivido uma espécie de revolução tranquila,
que mobiliza dirigentes e operacionais, no desígnio comum de acrescentar
critérios de excelência ao serviço prestado às populações neste concelho do
distrito de Leiria.
Neste novo ciclo de todas as mudanças, preparação,
motivação, entrega e união são mais que meras palavras de ordem, são divisas
que todos, dentro e fora do quartel, tudo fazem por honrar.
Sofia Ribeiro (texto)
Marques Valentim (fotos)

É sob o espetro da mudança que a Associação Humanitária dos
Bombeiros Voluntários da Batalha se dá a conhecer. Direção e comando uniram
esforços para dar novo rumo à instituição, conseguindo, desde logo, mobilizar o
corpo ativo, ávido em contribuir para o engrandecimento e dignificação da
causa.
Identificadas as necessidades, consideradas as expectativas
dos cerca de 100 homens e mulheres que servem o quartel-sede e a secção
destacada se S. Mamede, restou à equipa encabeçada por Francisco Freitas
“arregaçar as mangas” e trabalhar, muito e em várias frentes.
Era necessário formar, equipar e garantir os meios
imprescindíveis para a qualidade do serviço prestado pelos bombeiros, conforme
sublinha o comandante Fernando Bastos, considerando que, em curto espaço de
tempo, “muito já foi feito”,
Em apenas dois anos a direção investiu na aquisição de novos
equipamentos de proteção individual, em material de desencarceramento e
intervenção urbana, uma ambulância de transporte de doentes, e ainda num de
trator e ainda em dois geradores. Em paralelo, apostas na formação dos
bombeiros nas mais distintas valências, que aliás permitiu a criação de uma
equipa de Salvamento em Grande Ângulo. Esta “intervenção de fundo” contemplou
também melhoramentos no quartel e a modernização do sistema informático.
Para uma segunda fase, está ainda prevista a subsituação do
veículo de comando que apresenta problema de segurança, e o início do processo
de renovação do parque de viaturas, uma aspiração justa, mas ainda demasiado
onerosa, que só poderá ser concretizada ao abrigo de programas de
financiamento.
“Tem de facto, a direção tem estado sempre atenta e
disponível para dar resposta às solicitações do corpo de bombeiros”, reconhece
o comandante, sublinhando que “apesar das despesas de funcionamento serem
grandes, tem havido investimento.
“Estamos cá há pouco tempo, mas não nos falta vontade de
trabalhar, de deixar obra”, sustenta e acrescenta o presidente.
Outra das prioridades desta equipa assenta na projeção da
instituição para o exterior, apostando na recuperação da notoriedade perdida
nos últimos anos.
“Temos agendados vários eventos, com o intuito de dar
visibilidade à instituição, algo que estava adormecido… ou nunca existiu”,
assinala Francisco Freitas, defendendo que “os tempos mudam e os bombeiros têm
que se adaptar às novas realidades” e que essa projeção para o exterior poderá,
mesmo, despertar os mais jovens para a causa”, reforça o dirigente dando conta
de ações em escolas, empresas e instituições concelhias, no âmbito da proteção
civil e dos primeiros socorros, que “permitam formar e envolver a comunidade”.
“Estamos a trabalhar para o futuro, tentando passar a
mensagem de que esta equipa está a trabalhar em prol dos cerca de 16 mil
habitantes do município”, afirma o presidente, ainda que reconheça ser esta uma
missão espinhosa, porque na realidade a associação, “durante muitos anos,
esteve afastada da população, nunca se deu a conhecer”
Direção e comando salientam a parceria com a Câmara
Municipal da Batalha, que embora sempre atenta aos problemas dos bombeiros,
colabora “com o que pode, até porque são muitas as limitações orçamentais do
município”. Os apoios escasseiam, ainda assim, Francisco Freitas não esquece alguns
contributos, ainda que pontuais, das quatro juntas de freguesia do concelho, da
Caixa Agrícola, e de “uma meia dúzia de empresas locais”.
“As empresas começam a despertar para a realidade dos
bombeiros e, sempre que solicitadas, colaboram com associação, não com verbas
pecuniárias, mas em géneros, com equipamentos ou materiais”, reforça o
dirigente.
O voluntariado é, sem dúvida, o ativo mais valioso desta
instituição com 38 anos de existência, segundo realça o comandante falando de
um grupo “muito ativo, que se empenha, que se orgulha de ser bombeiro”, e assegura
ainda “todo o serviço noturno”. Ainda assim, Fernando Bastos, revela
preocupações, denunciando a crescente dificuldade em recrutar novos bombeiros,
uma questão que direção e comando vão tentar ultrapassar com trabalho nas
unidades de ensino local e ainda promovendo “iniciativas várias” que permitam
despertar o interesse dos mais jovens pela “vida de bombeiro”.
A missão não é fácil, mas esta equipa tem conseguido superar
os obstáculos com uma estratégia mobilizadora cujo sucesso depende da entrega
de todos, dirigentes e bombeiros que, na verdade, tiveram um papel
preponderante neste auspicioso ciclo de mudança que promete dar novo alento aos
Voluntários da Batalha.
