VALBOM
Bombeiros com missão ampliada
15/03/2016 11:56:15
A Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Valbom,
há já alguns anos que complementa a proteção e o socorro com a intervenção
social, missão assumida em parceria com a Câmara Municipal do Gondomar mas envolvendo
outras instituições locais, que tem permitido apoiar, orientar, mas, também,
garantir uma resposta diferenciada aos mais desprotegidos, atormentados pela doença,
a fome, a solidão ou pela falta de um teto condigno.
Sofia Ribeiro (texto)
Marques Valentim (fotos)

“Esta é uma instituição estável, tanto a nível financeiro
como administrativo” palavras de José Gonçalves Oliveira, o presidente da
Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Valbom, que, desta forma,
dá a conhecer um projeto consolidado e multifacetado, como uma forte componente
de apoio social à comunidade, sem esquecer os homens e as mulheres que servem a
causa.
O dirigente conta que nos últimos tempos, no âmbito de
parcerias com Centro de Emprego e Formação Profissional, a associação retirou
do desemprego sete bombeiros voluntários, reintegrando-os na vida ativa, o que permitiu
não só valorizar estas pessoas, como reforçar o quadro de recursos humanos da
associação, agora com 28 funcionários, com ganhos para serviço prestado à
comunidade.
Numa outra vertente, os Voluntários de Valbom assumem um
papel ativo e interventivo na comunidade, sinalizando situações de pobreza,
solidão, abandono, violência ou carências várias. Os casos são reportados aos
serviços sociais da autarquia e resolvidos em articulação com as juntas de
freguesias, instituições locais de solidariedade social e os serviços da
Segurança Social. O comandante fala com orgulho desta missão, que mobiliza todo
o corpo de bombeiros e já permitiu apoiar mais de uma dezena de pessoas.
A área de intervenção deste corpo de bombeiros compreende
Valbom e parte das freguesias de Jovim e Foz do Sousa e ainda Lomba, uma
espécie de “enclave” situado a 40 quilómetros do quartel e a outros tantos das
duas unidades hospitalares de referência, uma realidade territorial que
constitui um desafio para os cerca de 80 operacionais, comprometidos com a
excelência o serviço prestado a cerca de 30 mil habitantes.
O comandante dá conta de um território onde o risco de
incêndio florestal de densas áreas verdes de “morfologia agreste”, impõe
elevados níveis de prontidão. José Alves fala ainda da perigosidade das
acanhadas áreas urbanas mais antigas, bem das pequenas indústrias familiares
disseminadas e a laborar sem qualquer controlo, a que junta a exposição a
cheias e inundações de uma área com muitas linhas de água. O intenso tráfego,
incluindo transporte matérias perigosas, tanto na A41 como na nacional 108,
também colocam em alerta permanente o quartel de Valbom.
Também a emergência pré-hospitalar dá muito trabalho aos
Voluntários de Valbom que, para que nada falhe na resposta às vítimas, optaram
por operar com “duas equipas, todos os dias das 7 às 23 horas”, como assinala o
presidente.
Esta ânsia em servir cada vez mais e melhor, merece o
reconhecimento da Câmara Municipal de Gondomar, que “tudo tem feito pelos cinco
corpos de bombeiros do concelho, para que nada lhes falte”, como faz questão de
salientar José Gonçalves Oliveira, para depois arrasar a lei de financiamento
do setor, considerando não ser possível exigir tanto das associações quando, na
verdade “pagam tão pouco”.
Acérrimo defensor da causa o dirigente, fala de injustiças e
dispara certeiro em todas as direções, não poupa a tutela, censura os “modus
operandi” do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM), exige os
incentivos para captar e fixar bombeiros, e não esconde revolta pelo facto das
“associações terem que pagar para prestar voluntariamente um serviço”. Conclui
afiançando que sem o apoio da autarquia dificilmente os Bombeiros de Valbom
poderiam prestar um serviço de qualidade às populações.
O quartel inaugurado na década de 70 do século passado, tem
recebido ao longo dos anos obras de adaptação e melhoramentos vários, para
responder às crescentes exigências operacionais. Ainda assim, o comandante fala
da necessidade de requalificar e ampliar vestiários e camaratas, tendo em conta
o aumento do número de mulheres no efetivo.
No conjunto de meios colocados à disposição desta área do
concelho de Gondomar, o comandante identifica como única lacuna um Veículo
Ligeiro de Combate a Incêndios (VLCI), para dar resposta a eventuais
ocorrências nos núcleos urbanos mais antigos “onde um veículo urbano não entra”.
A formação é um “tema” recorrente, quase uma rotina para os
operacionais de Valbom que, nos últimos anos, “têm aproveitado toda a oferta da
Escola Nacional de Bombeiros”, para além de outras ações “mais especializadas”,
nomeadamente na vertente de estruturas colapsadas, tendo em vista a criação de
uma equipa especial, ainda este ano. O quartel dispõe ainda de uma brigada para
socorro no rio Douro, que assegura uma reposta que os operadores turísticos
teimam em descurar.
O maior património desta instituição será, certamente, o
voluntariado que ainda assegura todos os serviços noturnos e os fins de semana,
“sempre com piquetes de 10 ou 12 bombeiros”, algo de invulgar nos dias que
correm, quando a disponibilidade é cada vez menor. Comando e direção consideram
“inexplicável” a entrega e dedicação destes homens e mulheres, ainda que
reconheçam a instituição se esforça por valorizar os bombeiros, mas também por
lhes dar condições de trabalho e de conforto, para que na realidade possam
sentir-se em casa.
Assim sendo, a “crise do voluntariado” ainda não bateu a
esta porta, também porque comando e direção não desmobilizam na sensibilização
dos mais novos para a causa, o trabalho nas escolas, a divulgação nas redes
sociais têm permitido assegurar reforços, bem como a escola de infantes e
cadetes. Uma nova recruta está a decorrer e é natural satisfação que José Alves
anuncia que, em breve, o corpo de bombeiros poderá dar as boas vindas a mais
uma dezena de operacionais.
Trabalho, espírito de missão e ambição guiam esta coesa equipa, que norteada
por valores como a solidariedade consegue superar-se todos os dias, fazer mais
do que o possível em prol da comunidade que serve. Fundada a 3 de outubro de
1927, a Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Valbom não se
acomoda ao estatuto da antiguidade, prefere antes alinhar pela modernidade.
