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Capa do jornal "Bombeiros de Portugal"

Director: Rui Rama da Silva

quarta-feira,

26/07/2017

13:32

TRÁGICO INCÊNDIO

Presidente da LBP aponta origem de mão criminosa

04/07/2017 16:36:21

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As circunstâncias, que estiveram na origem, e que marcaram a evolução da tragédia que se abateu sobre Portugal, com maior incidência nos concelhos de Pedrógão Grande, Castanheira de Pera, Figueiró dos Vinhos, Pampilhosa da Serra, Góis, Ansião e Cernache do Bonjardim e outros, irão ser alvo de inquérito conforme promessas reiteradas pelo Governo e recomendação do próprio Presidente da República.

A fita do tempo das operações, que já alguém caracterizou como uma verdadeira “fita”, por certo, permitirá tirar muitas conclusões e apontar linhas de investigação a esmiuçar e identificar com rigor e detalhe o sucedido.

Certo é que este teatro de operações (TO) complexo envolveu milhares de bombeiros, chegaram a ser 2400, incluindo a Força Especial de Bombeiros (FEB), centenas de viaturas dos bombeiros, 400 identificadas no TO em simultâneo, 24 meios aéreos, incluindo, também, vindos de Itália, França e Espanha. Estiveram ainda presentes, o INEM, a Cruz Vermelha Portuguesa (CVP), GIPS/GNR, os Fuzileiros e militares do Exército.

O apoio espanhol, além dos meios aéreos, traduziu-se também na presença de elementos da Unidade Militar de Emergência e de bombeiros da Estremadura, Andaluzia, Galiza e da Comunidade de Madrid.

Desta tragédia fica um balanço, da morte de 64 pessoas, uma delas bombeiro, mais de duas centenas de feridos, 4 deles bombeiros, o registo de 2 mil desalojados, a perda de 50 mil hectares de floresta, mais de 90 por cento da floresta dos concelhos afetados destruída e duas centenas de habitações afetadas, muitas delas destruídas.

A par da tragédia, assistiu-se a um significativo movimento de solidariedade promovido por muitas entidades, empresas e particulares. Não haverá memória em Portugal de um movimento tão rápido e significativo como este. Foi tal a adesão que a própria Liga dos Bombeiros Portugueses, que desafiara os portugueses para o desencadear dessa solidariedade, perante a enorme adesão registada e o volume de bens doados, viu-se na necessidade de, mais tarde, solicitar a sua suspensão. “Este é o momento em que a solidariedade se aplica na mais alta expressão, temos um povo solidário como não há no mundo”, sublinhou então o presidente da LBP.

M45.jpgM46.JPGPara já, estão por esclarecer devidamente as circunstâncias da tragédia que têm sido apontadas como principais. Desde logo, a origem, facto que levou o presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses (LBP), comandante Jaime Marta Soares, a ser o primeiro que publicamente apontou a eventual existência de mão criminosa. Isto, quando a tese dominante, apontada pela própria Polícia Judiciária (PJ), seria de causas naturais assentes na trovoada seca que tinha ocorrido. Informações posteriores, contudo, apontaram para o facto do fogo ter começado cerca de 2 horas antes do registo da dita trovoada e apontavam um conjunto suspeito de ignições ocorridas nas proximidades nas últimas semanas.

A opinião do presidente da LBP, que inicialmente terá levantado dúvidas a alguns, acabou por ser rapidamente secundada por muitos, aguardando-se agora o desenrolar das investigações que a PJ estará a fazer.

Não haverá dúvida sobre os fatores climáticos adversos existentes então, nomeadamente, um índice de humidade perigosamente baixo, a temperatura excessiva e ventos fortes.

Com o desenrolar da operação de combate e a chamada de grupos de reforço de todo o país para apoiar os exaustos bombeiros locais veio a verificar-se a existência de anomalias que a investigação que estará no terreno terá que forçosamente analisar e tirar conclusões.

As falhas registadas nas comunicações asseguradas pelo SIRESP parecem não suscitar dúvidas sobre o impacto na eficácia do combate e da movimentação de meios. Apontam-se 14 horas durante as quais não terá funcionado convenientemente ou, pura e simplesmente, não funcionou. Falhas que, no fundo, voltam a por em cursa a fiabilidade do SIRESP, a quem são apontadas, pelo menos, 4 situações de falha grave nos últimos 5 anos em teatro de operações.

Este incêndio é apontado como o maior registado em Portugal, não só tendo em conta a sua extensão mas também, em particular, tendo em conta o desfecho trágico de tantas mortes. Aliás, esse resultado, implicará forçosamente uma abordagem específica da investigação, tendo em conta as razões dessas mortes na grande maioria verificadas na, entretanto chamada “estrada da morte”, EN236-1. É apontado que o atempado encerramento daquela via teria evitado tão grande número de mortes.

Importa referir que, enquanto o pavoroso incêndio ocorria em Pedrógão Grande e concelhos vizinhos, ao mesmo tempo, em 15 distrito continentais, os bombeiros combateram pelo menos uma centena de ocorrências do mesmo tipo.

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