PUB

Capa do jornal "Bombeiros de Portugal"

Director: Rui Rama da Silva

segunda-feira,

14/10/2019

21:55

Uma história de defesa dos bombeiros

10/09/2019 12:29:23

Os Bombeiros têm um registo histórico inigualável na sociedade portuguesa. Ao longo dos séculos que já levam de vida ativa em prol da comunidade deram sobejas provas disso. E muitas vezes, em diferentes momentos e épocas, essas provas são dadas em situações limite, em circunstâncias muito difíceis, dramáticas até, e que têm levado ao sacrifício das suas próprias vidas.

Esse registo de provas dadas de humanitarismo, solidariedade, abnegação e voluntariado de facto não tem igual e, desde o início e a cada dia de passa é enriquecido com novos gestos que enriquecem moralmente e enobrecem todas as mulheres e homens que fardam de soldados da paz e da vida, Alma Mater e Expoência dos mais altos valores da nossa Sociedade Coletiva: Vida por Vida.

FAFE. CONGRESSO_FOTO MARQUES VALENTIM.JPG

Ao longo dos séculos, a comunhão e a partilha desses valores e princípios de vida tiveram como corolário o desejo e a concretização de uma organização que os representasse. E assim nasceu a Liga dos Bombeiros Portugueses.

A nossa Liga acaba de completar agora 89 anos de vida. Trata-se de uma efeméride só por si importante tendo em conta que muitas das entidades e instituições surgidas na mesma altura ou, pura e simplesmente, já não existem, outras perderam o seu fulgor inicial ou, como é o nosso caso, ao contrário, mantém-se ativa, participativa e reivindicativa.

Essa frescura evidenciada por uma instituição com uma provecta idade digna de respeito e admiração radica em motivos profundos que emergem da sua própria cultura humanitária, voluntária e solidária, mas também das convicções e jaez de muitos dos dirigentes que a têm conduzido ao longo das décadas. Noutros momentos e outros responsáveis, porventura, não merecerão a mesma atenção e encómio. Mas a vida das instituições é assim e cabe à história também tratar sempre de fazer a respetiva destrinça. E assim fará por certo no futuro próximo ou longínquo.

Uma história tão longa com a da LBP está, por certo, recheada de fenómenos e episódios de vária índole e importância. Desde logo, todos eles, direta ou indiretamente, dizem respeito à evolução e ao desenvolvimento das nossas várias comunidades, da nossa sociedade global e de todas as questões que lhes estão associadas, em particular, as que dizem respeito ao defendido e desejado maior bem-estar das populações, maior segurança, maior prevenção e melhor do socorro de quem necessite e, em tudo isso, de tudo o que diz respeito aos seus bombeiros

As nossas associações e corpos de bombeiros, muitas surgidas antes da sua LBP; ao tempo, contudo, foram unânimes na vontade e na decisão da sua criação pelas razões que ao tempo foram expressas e que ainda hoje, a caminho do século, se mantém reais, atuais e importantes. Trata-se de conciliar todos numa vontade única de servir os portugueses mas também de acautelar e garantir os meios necessários para tal. Essa é uma problemática de sempre, que ao longo do tempo conheceu várias situações, porventura umas mais musculadas que outras, mas às quais, por convicção e sentido de missão, muitos dos dirigentes da LBP deram sempre a devida resposta.

Foram esses órgãos sociais da LBP que garantiram ao longo destes 89 anos a sua continuidade, a sua oportunidade e a sua função social. Curvamo-nos perante a memória deles todos na certeza que cada um, no seu tempo e em função das circunstâncias deu o seu melhor, empenhou-se o melhor que pode e atingiu as metas a que se propôs na medida do possível. Porventura, à época nem tudo foi um mar de rosas. As vontades dos nossos dirigentes, em função da leitura que fizeram das necessidades das associações e corpos de bombeiros que representaram, nem sempre foram atingidas no seu pleno.

Essa dinâmica terá representado muitos custos, até pessoais, a muitos deles. E se seguirmos a fita do tempo de tantos séculos de certeza que encontramos momentos verdadeiramente dramáticos, de quase falência eminente, de incompreensão, até de má fé.

Quando apreciamos e analisamos os tempos próximos em que tantas vezes também vivemos momentos difíceis e até por vezes incompreensíveis, e que a realidade próxima até evidencia isso, lembremo-nos que não estamos sozinhos. Desde logo, contamos com o apoio e solidariedade dos nossos pares de hoje, dos bombeiros, comandos e dirigentes das associações e corpos de bombeiros que ao longo do país abraçam a mesma causa. Mas, contamos também com aqueles cuja memória nos convida a prosseguir com determinação e com convicção os nossos desígnios e que cujo forte exemplo, não obstante já não se contarem entre os vivos, nos robustece e dá sentido redobrado à nossa luta.

O passado, a vivência do presente e a meta do futuro animam-nos a prosseguir com a convicção e o sentido de missão de sempre. Tudo pode mudar mas isso nunca muda.

Por isso, termino como comecei, ao lembrar que os Bombeiros têm um registo historio inigualável na sociedade portuguesa. São mulheres e homens de outra têmpera, iguais a outras mulheres e outros homens mas diferentes na forma e no modo de estar na vida. A Vida do outro Homem seu irmão acima da sua própria Vida. Afirmação permanente da nobreza dos valores da cidadania que o Pais não pode nunca esquecer, honrando-os e acarinhando-os como, e também por isso, os poderes públicos devem dar-lhes melhores condições para que possam cada vez mais cumprir ainda melhor a sua nobre missão de bem fazer: salvar vidas e haveres.

PUB