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Capa do jornal "Bombeiros de Portugal"

Director: Rui Rama da Silva

quinta-feira,

29/10/2020

01:57

Saber separar o trigo do joio

20/02/2020 10:04:32

A divulgação nas redes sociais de um ofício do Fundo de Proteção Social do Bombeiro (FPSB) sobre uma alegada quantia paga à filha de uma bombeira que morreu em serviço deu origem a celeuma provocada por uma interpretação parcelar e distorcida do conteúdo do referido documento.

As redes sociais podem desempenhar um papel importante na sociedade moderna, um papel aglutinador, um papel analítico fundamental quando assente em premissas corretas e verdadeiras. Contudo a utilização dessas redes tem dado azo a situações lamentáveis de manipulação de informação, de distorção da mesma com críticas inconsequentes, e pior, infundadas e até falsas.

O direito de opinião e de crítica é algo que não pode ser posto em causa, salvo se, por desinformação ou má fé, é exercido de forma ínvia, ofensiva e, sem olhar a meios, acusadora e, tantas vezes, autêntica afronta de caráter.

O problema, como é óbvio, não está nas redes sociais, mas, acima tudo em quem as utiliza e com que intenções. A facilidade de comunicação que elas naturalmente geram em momento algum, baseado tantas vezes em motivos fúteis e infundados, pode por em causa a honorabilidade das instituições, dos seus dirigentes ou operacionais.

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                                                                Foto Marques Valentim

O bota abaixo ou o mero diz que disse não podem, não devem ser o motivo nem o suporte da utilização das redes sociais. E quando assim acontece algo fica mais pobre, seja o direito à crítica, à divergência de opinião ou o próprio direito à informação sério e concreto.

Inevitavelmente desacreditamo-nos quando alinhamos no diz que disse, sem cuidar de saber exatamente do que se está a falar.

No domínio dos apoios sociais estamos longe de alcançar aquilo que temos defendido, precisamos de muito mais, direi até, merecemos muito mais. E, é por isso que a Liga dos Bombeiros Portugueses tem, muitas vezes arrostada com críticas e incompreensões injustas, quando procura lutar e alcançar sucessivos patamares.

Foi a Liga que exigiu, defendeu e criou o FPSB. Essa conquista faz parte da sua reserva moral, do seu legado histórico. E os seus dirigentes têm lutado pelo seu desenvolvimento e pela sua melhoria também em função das mudanças que se têm vindo a verificar na própria sociedade.

Os anseios com que hoje gerimos e defendemos o FPSB já não serão os mesmos do passado, pelas razões que acabo de apontar. Por isso, a nossa atenção, além desse se dirigir em primeiro lugar para a manutenção da aplicabilidade rigorosa e justa do seu Regulamento e eventuais alterações, sempre sufragadas em Congressos, também tem em vista o alargamento dos benefícios. O apoio aos filhos dos bombeiros em creche e infantário, que tanta celeuma gerou nas últimas semanas por parte da LBP devido ao facto do MAI tardar em regulamentar essa situação, é apenas uma das inovações que a LBP tem defendido em sede do FPSB.

A meu ver o desafio atual trata-se de consolidar os apoios que o FPSB já assegura, reforça-los na medida das necessidades, e alargar o seu leque, acima de tudo por que é um direito que assiste aos bombeiros e um dever da parte da sociedade e do Estado garanti-los. Quanto mais o valorizamos, ganhando mais ânimo, mais determinação, mais motivação teremos para prosseguir e alcançar os objetivos a que nos propomos para bem dos Bombeiros Portugueses.

Esta luta permanente, contudo, não poderá ser manchada por inverdades, por muito que sejam repetidas. Particularmente quando acabam por pôr em causa o trabalho de muitos, o seu esforço em prol dos bombeiros.

Ao fazer-se crer, como aconteceu nas redes sociais, que a filha da bombeira Ana Rita Pereira, falecida em serviço em 2013, não estará a receber o que lhe é devido ou que recebe tão somente 10 euros por mês, é não só falta à verdade como também ofender a memória de quem já não está no nosso seio.

A menina recebe desde 1 de setembro de 2013 uma pensão de preço de sangue de, atualmente, 601,60 euros (14 meses), um subsídio mensal de alimentação de 90 euros, um subsídio anual de vestuário de 230 euros. A estes valores acrescem duas apólices de seguro, um de vida (50 mil euros) e outro de acidentes pessoais (109.125 euros). Acresce ainda o recebimento através do FPSB de um donativo de 12.125 euros oriundo de verbas provenientes do Governo de Timor Leste.

Desejaremos sempre que estes valores possam vir a ser mais na certeza, porém de que a menina, em circunstância alguma poderá ser ressarcida da perda da mãe e de tudo o que isso acarreta.

Neste caso, como em todos os outros que temos vindo a acompanhar e apoiar, manteremos, como temos garantido, a atenção na sua condução. Da mesma forma que, por razões óbvias, manteremos o recato, a reserva com que o fazemos em respeito por todos, os que partiram e cuja memória homenageamos e os que ficaram e por quem nos cabe velar e ajudar.

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