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Capa do jornal "Bombeiros de Portugal"

Director: Rui Rama da Silva

segunda-feira,

10/12/2018

22:37

Novas EIP são mais uma etapa de muitas

08/06/2018 11:39:29

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A constituição de novas Equipas de Intervenção Permanente (EIP) que temos exigido são mais uma etapa, de muitas, cuja conclusão, conforme há muito vimos exigindo, só será atingida quando todos os corpos de bombeiros dispuserem delas.

Este ano, como é sabido, fruto de intenso debate que temos mantido com o Governo, foram já constituídas, ou estão em fase disso, 79 EIP. E desenvolvemos já novos contactos para que até final do corrente ano se formem mais 41, num total de 120.

Este número de EIP constitui para nós Liga dos Bombeiros Portugueses um etapa, importante sem dúvida, mas uma entre as muitas que queremos alcançar até ao cômputo final. Juntam-se às que já foram constituídas, mesmo que a um ritmo que temos criticado por não ser coincidente com as necessidades sentidas.

Nesse processo evolutivo importa também ter em conta a necessidade de revisão do regulamento das EIP e, nesse domínio, adequa e atualizar, por exemplo, os valores salariais.

Atingir a etapa em curso foi um dos objetivos claros que traçámos e para o qual defendemos, desde logo, a continuidade até ao pleno, como já disse. Mas, neste processo, importa também enaltecer o papel decisivo dos restantes parceiros, desde logo, as nossas associações humanitárias e, também as autarquias.

O Mundo está em mudança, como todos sabemos e sentimos a cada passo, nomeadamente, as associações humanitárias e os seus corpos de bombeiros.

Prever o futuro, diz-se, é cada vez mais difícil. Eu diria, até, imprevisível e praticamente impossível de antecipar. Contudo, vamos recebendo sinais que nos exigem mais atenção, mais capacidade e mais resiliência.

Como diz o conhecido sociólogo e ex-governante António Barreto, fazendo o retrato da atual realidade nacional e das interações internas e externas a que se encontra sujeita, “com menos meios e recursos, com menor autonomia de decisão e com superior dependência temos dificuldades em preparar o futuro”.

É o mesmo autor que nos alerta para que “a globalização, a metrópole, as massas, a rapidez, o automatismo, a competitividade e a uniformidade geraram valores contrários à comunidade humana, ao pensamento, à qualidade estética, ao brio e à compaixão”, advertindo ainda que “nem sempre a dimensão do que se ganha é suficiente para esquecer o que se perde”.

Não se trata, a meu ver, de um diagnóstico negativo ou catastrofista sobre a realidade mas, tão-somente, a constatação da própria realidade, das linhas com que se cose, dos desafios, dos constrangimentos, dos obstáculos, muitos, e das oportunidades, nem sempre claras, a que os portugueses estão sujeitos, incluindo naturalmente os bombeiros e as suas associações.

Recorri à citação de António Barreto para contextualizar que, quando falamos das nossas necessidades, dos desafios que queremos abraçar e repetir, fazemo-lo no âmbito de uma realidade que nos influencia, nos condiciona mas também, se o soubermos fazer, nos estimula a avançar e a construir novas etapas.

No acompanhamento das associações humanitárias e dos corpos de bombeiros temos pugnado por uma postura sempre atenta e proativa relativamente à realidade, mesmo que ela se apresente cada vez mais plena de incertezas e de constrangimentos de vária ordem. Temos a consciência de tudo isso, mas tal não nos leva, em momento algum, a afrouxar ou derivar as nossas atenções, reivindicações e alertas sobre as necessidades dos bombeiros, o que quer dizer, em conclusão, para as necessidades das populações que, aparte a época ou as circunstâncias em que surjam, prometemos proteger e socorrer.

A necessidade de dotar as nossas associações humanitárias de bombeiros voluntários de EIP não surge num contexto qualquer ou por simples acaso. De facto, pesem embora as dúvidas e as incertezas que têm vindo a assaltar a sociedade portuguesa sobre o seu futuro, para os bombeiros há questões que devem estar sempre no centro do debate em torno da sua existência, da sua sustentabilidade e eficácia, ou seja, o bem-estar e a segurança das suas populações e as condições precisas e objetivas e precisas para o assegurar.

Falar da profissionalização no seio dos bombeiros voluntários e das suas associações enquadra-se precisamente nessa perspetiva. Importa garantir a existência das associações humanitárias, não só por razões culturais e históricas, mas também, e em especial, porque continuam a desempenhar na sociedade funções fundamentais para as quais não há alternativa. Assim sendo, temos pugnado para que a sua existência seja garantida por sustentabilidade, salvaguardada pela própria comunidade, mas também pelo Estado e pelas Autarquias a quem cabe social e constitucionalmente essa tarefa.

Garantida a existência e a sustentabilidade importa então salvaguardar também a eficácia. E, tal só é possível, se reunirem as necessárias condições, sejam as competências, que já são reconhecidas mas que os próprios bombeiros desejem desenvolver ainda mais, seja a disponibilidade para o fazer.

Não estamos a fazer perigar o voluntariado, longe disso. Estamos a defende-lo numa lógica que, longe de o por em causa, permita que se adeque com as novas exigências da sociedade atual e futura.

Poderá dizer-se que estamos a fazer história antes dela acontecer. De facto, temo-nos antecipado em alertas e exigências antes delas se apresentarem de forma mais aguda. Conhecemos a realidade e os sinais que ela emite. Temos alertado os governantes para elas e nem sempre temos recebido as respostas que desejamos. Hoje, a situação estará a mudar, conforme fiz questão de sublinhar recentemente na minha intervenção no Dia do Bombeiro Português, em Portel.

Perdeu-se muito tempo com a falta de resposta aos nossos alertas e exigências apesar de as repetirmos à exaustão, não por teimosia, mas por convicção e conhecimento de facto.

As primeiras EIP surgiram em 2011. Depois, foram surgindo de forma lenta e mitigada. Viveu-se depois um período de hiato, que as próprias dificuldades económicas vividas pelo país, mesmo assim, nunca justificaram. Porque estavam e estão em causa os superiores valores do bem-estar e da segurança dos portugueses.

Agora, retomado o processo das EIP vamos continuar a lutar para que possa ser concluído em breve. Para já, temos o desafio lançado ao Governo para que este ano e até ao seu final se atinja a criação de mais 120.

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