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Capa do jornal "Bombeiros de Portugal"

Director: Rui Rama da Silva

sábado,

18/11/2017

02:45

A união faz a força

03/11/2017 09:42:00

É um dito antigo que se aplica com toda a evidência e oportunidade aos resultados do nosso 43.º Congresso Nacional realizado no último fim de semana em Fafe. Esses resultados, a vitória expressiva ali demonstrada, será tanto mais importante e significativa o quanto, todos nós sem exceção, soubermos com ela construir, reforçar e manter entre nós uma unidade fundamental que sirva para a nossa reafirmação coletiva como representantes de todos os bombeiros, esbatendo e ultrapassando com maturidade e elevação aspetos que nos possam ter separado no período pré-eleitoral. Aspetos que, passado esse momento, não podem nem devem beliscar o nosso entendimento, a nossa convicção e determinação em torno de objetivos conjuntos, fortes, aglutinadores e galvanizadores de todas as nossas forças e vontades.

PONTO-DE-SITUAÇÃO_OUT.jpgTrata-se do futuro dos portugueses e, neles, o futuro de um património que eles próprios criaram, as suas associações e corpos de bombeiros.

Quando se tratou da sua fundação, os portugueses poderiam ter decidido de modo diferente. Mas não, fizeram-no precisamente apostando no voluntariado como o modelo de organização social por excelência para a prestação do socorro e da salvaguarda da vida e dos bens. Fizeram-no intencionalmente, não por acaso, mas sustentados na vontade expressa de milhares de mulheres e homens que ao longo de muitos anos têm sabido dar resposta às necessidades das suas comunidades e, também por essa razão, a sua disponibilidade e a sua competência são cada vez mais sublimadas e apontadas como exemplo, passem os anos que passarem.

Cuidar dos nossos semelhantes com base no voluntariado não é uma opção que nos embargue, nos enclausure ou nos amarre a um modelo do passado. É uma opção, fruto da nossa convicção e da nossa livre vontade, que nos envolve, que nos desafia a continuar nessa mesma senda. Mas não é um modelo fechado ou imutável, assim se cumpra sempre e se tenha em conta a matriz e os princípios iniciais.

O nosso atual desafio, aglutinador e motivante, a que somos convidados pela atualidade e pela nossa própria história, é o de saber e, estou certo, conseguir compaginar as necessidades atuais da sociedade, cada vez mais apelativa à intervenção dos bombeiros nas mais diversas áreas, com um modelo que herdámos, a quem continuamos a dar corpo e razão, e que se pretende fazer prosseguir e evoluir como estrutura de base e exemplo de cidadania ativa por excelência.

Os tempos que estamos a viver são conturbados, choramos mortos e enormes perdas ambientais e patrimoniais. E é nesse quadro, de desolação e perda, que os bombeiros, mais uma vez, apresentam-se como sinal de contradição na sociedade, não deixando de fazer o luto, honrar os mortos mas, também, fazer juz ao seu lema e a continuar denodadamente a cuidar dos vivos.

No Congresso que agora terminou demos voz a todos, trocámos opiniões, fomos cidadãos livres e atuantes em torno do que nos preocupa, do que necessitamos e do que consideramos importante para continuar a assegurar o bem-estar e a qualidade de vida dos portugueses. Ao exigir, mesmo que distraidamente se possa pensar que é para nós, na verdade, reivindicamos tudo o que nos permita dar continuidade e reforçar as nossas missões em benefício das populações, em prol do coletivo.

Nesta edição do jornal reproduzem-se integralmente os documentos que apresentámos a Congresso e que serviram de base à nossa candidatura, razão pela qual não irei aqui abordar o seu teor.

Contudo, não posso deixar de lembrar e valorizar que, em meu entender, após o sufrágio ali realizado, só poderemos concluir não haver nem vencedores nem vencidos se soubermos, todos, alimentar e consolidar a união que ali foi reiterada e reforçada.

A demonstração da nossa força está na unidade com que o fizermos. A demonstração da nossa capacidade e modernidade está na determinação e eficácia com que soubermos operar as mudanças que urgem. A demonstração da nossa atualidade está na capacidade com que soubermos demonstrar à própria sociedade os méritos do modelo de voluntariado que preconizamos.

Temos em frente um trabalho sem fim. O momento presente continua a ser da aposta no desenvolvimento do nosso saber, do aperfeiçoamento da cooperação, de formação contínua, da mobilização dos cidadãos e do sociedade em geral, através das suas instituições, para a proteção e socorro às populações.

É preciso reforçar no dia-a-dia esta notável realidade, representada pelos bombeiros portugueses, que são portadores de valores e ideais de uma sociedade que se quer justa e solidária, cimento indestrutível com o qual seremos competentes para alavancar um futuro onde todos se sintam mais protegidos e seguros.

Honra e Glória aos Bombeiros Portugueses.

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