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Capa do jornal "Bombeiros de Portugal"

Director: Rui Rama da Silva

quinta-feira,

29/10/2020

01:06

A razão de ser e continuar

03/09/2020 18:19:29

A todos nós, enquanto bombeiros, comandos e dirigentes das associações e corpos de bombeiros, tem cabido testemunhar e protagonizar os momentos importantes que a Liga dos Bombeiros Portugueses (LBP) viveu e gerou nos últimos tempos. Momentos que, pela proximidade, muitas vezes, nem sempre temos sabido valorizar ou testemunhar suficientemente, mas que, feito o balanço rigoroso de todos deles, com facilidade chegamos à convicção que marcam e vão continuar a marcar a história da nossa confederação. Particularmente os últimos tempos, que me permito sinalizar como desde 2012, em que a LBP deu passos significativos e que se repercutiram nos bombeiros, nas suas associações e corpos de bombeiros. Inclusive, sem desvalorizar os restantes, a obtenção de uma sede digna do nome, da dimensão e da funcionalidade que a atual tem. Aliás, a primeira digna desse nome numa história tão longa e rica como a nossa confederação já leva.

Nesse mesmo período houve também que arrumar a casa e, entre outras coisas, por termo a experiências falhadas ou desadequadas levadas a cabo pela LBP anteriormente. Não estará em causa a bondade de algumas dessas iniciativas ou das intenções que as acompanhavam, mas a oportunidade, a viabilidade e sustentabilidade da sua prossecução. Tendo em conta inclusive a necessidade pronta e urgente, como agora tem acontecido, de reduzir custos e gerir com parcimónia e rigor os recursos existentes.

O hotel de Monforte, a Segurifénix e a Contabilifénix foram iniciativas abandonadas. A primeira, por ser uma sorvedora de dinheiro de reduzido impacto social no apoio aos bombeiros, e as restantes por não se adequarem à função principal e primordial da LBP.

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A LBP completou no passado dia 18 de agosto, 90 anos de existência. E, nesse dia, fizemos questão de assinalar a efeméride lembrando a sua importância, após tantos anos vencidos desde a decisão de arrojo da sua criação, mas também assinalar e homenagear as sucessivas gerações que lhe têm sabido dar continuidade.

A nossa confederação tem liderado um conjunto muito significativo de questões, todas associadas aos bombeiros e às suas associações e corpos de bombeiros, sempre na prossecução da continuidade, defesa e apoio real do voluntariado, de mais formação e meios de proteção, reivindicando novos e mais atualizados meios de combate a todos os tipos de sinistros, e exigindo recursos que garantam a sustentabilidade da suas associações para que seja possível a consequente competência técnica e capacidade humana para o desempenho da sua missão de “Vida por Vida”.

Ao curvarmo-nos perante a memória e o legado de todos os bombeiros, elementos de comando e dirigentes que no seio da confederação souberam levar bem alto e honraram o nome dos bombeiros e a sua missão de “Vida por Vida” ao longo de tantos anos, neste momento, homenageamos especialmente aqueles que perdemos no campo de batalha, sufragando todos eles e, em particular, os cinco bombeiros falecidos este ano ao serviço de Portugal e dos Portugueses. Mais prova inequívoca da determinação, do empenho e da abnegação dos bombeiros, até ao limite da sua própria existência, em prol da defesa e socorro dos portugueses não poderá haver.

Em memória de todos eles, a LBP vai continuar a defender a criação, com a dignidade que se exige e merece, do Monumento Nacional ao Bombeiro, que seja símbolo do reconhecimento de Portugal aos seus Bombeiros, mas também testemunho para as gerações vindouras da história de ouro que os nossos bombeiros têm escrito.

As várias décadas de história da LBP têm sido marcadas por muitos temas, aos quais os dirigentes da LBP têm dado a maior atenção e pugnado pela sua defesa e concretização. Aos sucessivos Governos, sem exceção, a LBP tem sabido, com frontalidade, lealdade e rigor, apresentar as reivindicações dos bombeiros, muitas vezes em cenários influenciados por dificuldades sentidas no país, mas também pelo desinteresse de alguns que entendem sobrepor o individual ao coletivo. Esse é um caminho a inverter com carater de urgência levando por diante reformas importantes a que a todos sem exceção deve obrigar.

E, mesmo consciente dessas mesmas dificuldades, a LBP, pela oportunidade das suas chamadas de atenção, não tem deixado de demonstrar até à exaustão o que se tem traduzido numa profunda injustiça da sociedade e do Estado em não compensar devidamente os bombeiros por tudo o que fazem sem pedir nada em troca, salvo mais meios e recursos que lhes permitam socorrer melhor os seus concidadãos.

O recente e trágico episódio ocorrido no combate a um incêndio rural em Castro Verde, que resultou em ferimentos graves num bombeiro e na morte de outro, e que se prende com a exaustão dos EPI florestais, para além da validade e da eficácia exigíveis, levou-nos mais uma vez, mas não nos cansaremos de o fazer sempre, a exigir que tal não se repita, na defesa da integridade física dos bombeiros e do respeito que todos lhes devem demonstrar, pelo esforço, pela abnegação, mas também pela competência, pelo saber e pela convicção plenamente demonstrados.

A LBP foi criada por vontade expressa dos bombeiros, dos comandos e dirigentes das associações e corpos de bombeiros e essa matriz e razão de ser continua perene, plena de conteúdo e dinâmica.

Ao completar 90 anos, a LBP renova a vontade de continuar a pugnar pelo apoio aos bombeiros, já que estes são o maior Exército de Soldados da Paz e da Vida, e a quem os Portugueses diariamente confiam a defesa das suas Vidas e Haveres.

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