PUB

Capa do jornal "Bombeiros de Portugal"

Director: Rui Rama da Silva

terça-feira,

27/06/2017

11:29

Mentira vil

06/05/2014 16:32:50

(A propósito do transporte de doentes com cancro)

 “Os mais pobres são os que mais praticam a generosidade”

(Papa Francisco)

Há já uns tempos atrás, o Jornal de Notícias, e depois as televisões, noticiaram com grande destaque: “que os Bombeiros do Norte se recusavam a transportar doentes com cancro para tratamentos no IPO do Porto”.

Criou, esta forma de fazer notícia, perplexidade no país em geral, estupefação e revolta nas estruturas dos Bombeiros e dor, muita mais dor, aos que sofrem dum mal que a mais das vezes é irreversível, aumentando o seu sofrimento físico e sobretudo psicológico, com esta mentira vil, dada a conhecer dessa forma bombástica, despropositada e inaceitável.

É óbvio, que os dirigentes dos cinco distritos a norte do Douro, esclareceram tão lamentável notícia, bem assim como o Presidente da Liga em defesa da dignidade dos Bombeiros que representam. A verdade porém, é que a dúvida ficou e certamente permanecerá no espírito, e na mente dos atingidos por tão grave doença, bem como os seus familiares, fazendo assim com que os Bombeiros se transformem de heróis em vilões de um momento para o outro.

Seria muito mais útil, e prestável para todo o país, que o Jornal de Noticias, e outros jornais não se servissem de “coisas” mentirosas comunicando-as aos leitores, na tentativa de apenas venderem mais jornais, mas sim dizendo quão fazem os Bombeiros, de útil e válido, todos os dias por este povo massacrado, espoliado, pelos poderes, dos direitos consagrados na nossa Constituição, e que nas horas de incerteza ou infortúnio, contam sempre com o inigualável apoio dos Bombeiros de cada comunidade.

Não seria mais correto, justo e útil, que os jornais, e no caso o Jornal de Noticias, desse conhecimento das centenas de milhares de serviços de emergência, incêndios (todos os tipos); acidentes (trabalho, rodoviário, ferroviário, aéreo), doenças súbitas, intoxicações, agressões, etc., bem como das demais centenas de milhares de transportes de doentes não urgentes (IPOs, Clínicas, etc.) que fazem em cada dia e em cada ano?

Não seria melhor que o Jornal de Notícias, e outros, trouxesse à estampa o rol imenso de pessoas doentes, que ficaram sem transporte, sem tratamento, pelos cortes impiedosos, desumanos e inaceitáveis que as estruturas de saúde fizeram e que levaram à morte, sim à morte (!), prematura de muitos doentes que deixaram de ser transportados aos tratamentos?

É lógico que seria muito melhor, muito sério, e seria sobretudo patriótico, o contributo do Jornal em apreço, que gosto de ler desde pequenino, em cada dia, porque assim fui habituado quando o meu velho Pai, era seu jovem correspondente na aldeia mineira em que me fiz homem, se referisse quantos milhões de euros poupam ao erário público os serviços feitos pelos Bombeiros, ou se relatassem os milhares e milhares de euros que os Bombeiros não cobram a doentes transportados, simplesmente porque muitos não têm dinheiro para lhes pagar, mas que mesmo assim são transportados.

Mas do que se tratou afinal, perguntarão muitos dos leitores, e portugueses que leram a notícia?

É simples, muito simples! 

Os Bombeiros Portugueses, através da sua Liga (LBP) viu-se e desejou-se, nas negociações tidas há cerca de dois anos, com o Ministério da Saúde, para que o transporte de doentes, com requisição das suas estruturas regionais de saúde, fosse pago o km a 51 cêntimos, aceite pelos Bombeiros, com muita dificuldade, não esquecendo estes o seu lado social mas sobretudo humanitário.

Ora, agora, num concurso público feito pela Administração do IPO, eivada de um “Chico espertismo” inaceitável, “convidou” os Bombeiros a concorrer, mas só aceitando propostas com preço no mínimo 70% de 51 cêntimos ou ainda mais baixas.

É óbvio que as mais de 180 Corporações de Bombeiros a norte do Rio Douro disseram que não.

A isto chama-se querer fazer figura à custa dos outros. E, a fazer figura, por fazer, é bem melhor serem os Bombeiros a fazê-la, nas suas terras para o seu povo, e de quem emanam, do que outros à custa dos bombeiros.

 Se meu avô fosse vivo chamaria a isto sem qualquer tipo de rebuço, mas com vossa licença “o fazer filhos nas mulheres de outros”..

 Seja como fôr, tenho para mim que os Bombeiros nas suas terras, farão o que sempre fizeram, isto é: estar ao serviço dos seus concidadãos, como sempre estiveram e estão, sobretudo daqueles que mais necessidade têm e mais sofrem, pelas vicissitudes criadas pela vida, e por todos aqueles, insensíveis e desumanos, que transformam os seus horizontes de vida mais curtos e mais penosos.

Deixem-me dizer-lhes porém, que os doentes com cancro e os Bombeiros, merecem mais apoio, mais consideração e sobretudo mais respeito.


José Campos


PUB