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Capa do jornal "Bombeiros de Portugal"

Director: Rui Rama da Silva

sexta-feira,

20/07/2018

17:29

“TEMPLOS DE PAZ”

07/03/2018 17:22:24

Recordando antigos quartéis

 

Pesquisa/Texto: Luís Miguel Baptista

Para esta edição do “BP”, entendemos reservar, aleatoriamente algumas imagens fotográficas de antigos quartéis de bombeiros, por natureza, no caso dos voluntários, sedes das respectivas associações humanitárias.

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Deste modo procuramos preservar a memória colectiva de diferentes imóveis, uns já demolidos e outros ainda existentes, que marcaram determinadas épocas e afirmaram os bombeiros nas respectivas localidades.

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Com a expansão do serviço de incêndios e à medida que se foi intensificando a sua organização, subordinada a novos conceitos tanto do ponto de vista estrutural como material, passou a ser aplicado o vocábulo "estação", secundado pelo actual "quartel".Ao termo "quartel" antecedeu, mais precisamente nos séculos XVIII e XIX, a expressão "casa da bomba", utilizada para identificar o local onde em determinado lugar, aldeia, vila ou cidade do país era guardada a bomba manual de combate a incêndios.

Durante muito tempo os quartéis de bombeiros funcionaram em espaços adaptados para o efeito, solução que progressivamente veio a ser colocada de parte através da construção de edifícios de raiz. Na sua maioria apresentando condições modestas, tal como acontecia nas vulgarmente designadas "corporações da província", cedo se tornaram pontos de referência, sendo interiorizados pelas populações como algo muito seu, consequência lógica do movimento associativo da sociedade civil que presidiu à fundação das instituições.

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Através do alargamento da missão dos bombeiros a outras áreas, os respectivos quartéis passaram também a assumir maior importância social, tornando-se cada vez mais presentes na vida das comunidades. Assim veio a acontecer, por exemplo, com a disponibilização do serviço de auto-maca e a instalação de postos de socorros. E, de modo reforçado, a partir do momento em que, a título complementar, procurando suprir necessidades de âmbito local, passaram a acolher postos de telefone público, salões de festas, bibliotecas e infra-estruturas desportivas, entre outras vertentes conducentes à valorização moral e intelectual das populações, no âmbito das quais, por exemplo, muitos cidadãos tiveram a oportunidade de tomar contacto, pela primeira vez, com o cinema, a rádio e a televisão.

A esses tempos e factos, de inquestionável alcance na melhoria da qualidade de vida colectiva, reportam-se as imagens que aqui publicamos, desafiados por apresentar uma galeria de alguns dos mais emblemáticos "templos de paz", conforme, um dia, alguém se lembrou de qualificar os quartéis de bombeiros.



Um carroçamento dentro de quatro paredes…

 

Nova imagem (6).jpgContrastando com os dias de hoje, vulgarizados pelo recurso a empresas da especialidade, no passado, grande parte dos veículos dos corpos de bombeiros, tanto os pronto-socorros como as auto-macas, eram carroçados nos próprios quartéis, concorrendo para o efeito a mão-de-obra de dedicados voluntários, muitos dos quais ligados ao sector secundário.

Os trabalhos realizavam-se em período pós-laboral, à noite e aos fins-de-semana, sendo uma consequência natural dos parcos recursos financeiros das associações de bombeiros, facto que, sublinhe-se, os respectivos elementos dos corpos activos e auxiliares sentiam e viviam como algo de pessoal.

O voluntariado tinha orgulho em apoiar as direcções e os comandos na resolução dos problemas internos, assumindo uma atitude activa e responsável, solidarizando-se. E diga-se, também, em nome do bom rigor histórico, que tinha vaidade do trabalho executado, mantendo por isso os veículos sempre primorosamente cuidados, nos parqueamentos dos quartéis.

Idealizados por comandantes e outros entusiastas pelo progresso do material circulante, os carroçamentos, geralmente efectuados em chassis de automóveis particulares que não haviam sido concebidos para serviço de socorro, estavam, porém, sujeitos ao cumprimento de normas técnicas estabelecidas pelas entidades inspectivas dos corpos de bombeiros. Quer a Inspecção de Incêndios da Zona Norte quer a Inspecção de Incêndios da Zona Sul tinham também competência para homologar os veículos, mediante os correspondentes projectos, cuja apresentação em termos processuais era indispensável. No entanto, houve tempos em que os carroçamentos dependiam do exclusivo critério dos corpos de bombeiros, daí resultando, por vezes, situações embaraçosas e quase anedóticas. É disso exemplo o caso relatado por José Luís Filipe, no seu livro “Os Bombeiros Voluntários de Sintra – Subsídios para a sua História no 1.º Centenário da Fundação (1890-1990), ao qual recorremos para dar exemplo concreto de um carroçamento problemático:

 “No dia 25 de Junho de 1928, é inaugurada uma camioneta "Brocway", que foi adquirida em leilão e posteriormente adaptada pelos Srs. Carlos da Paula e Etelvino Pacheco, assim como uma outra viatura para transporte de feridos e doentes que continha duas macas. Receberam, respectivamente, os nomes de "Sintra" e "Caridade". Contam os velhos bombeiros que a ambulância atrás referida e depois de adaptada, não podia sair do quartel devido ao facto das suas dimensões ultrapassarem em grande escala as medidas da porta. Por esse motivo, ou se demolia a passagem ou, desmanchava-se a viatura em causa. Optou-se pela segunda versão. A supracitada ambulância ficou, a partir de então, alcunhada de "Grande Hotel Estoril".


Artigo escrito de acordo com a antiga ortografia

Site do NHPM da LBP:

www.lbpmemoria.wix.com/nucleomuseologico

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