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Capa do jornal "Bombeiros de Portugal"

Director: Rui Rama da Silva

segunda-feira,

10/12/2018

21:29

Os clichés da “Ilustração Portuguesa”…

07/09/2018 16:46:43


Pesquisa/Texto: Luís Miguel Baptista

"Um dos mais importantes repositórios de informação sobre a sociedade portuguesa", assim se refere fonte da Hemeroteca Municipal de Lisboa à “Ilustração Portuguesa”, opinião da qual comungamos e transcrevemos para contextualizar as imagens do presente apontamento.

Na verdade e no que diz respeito aos bombeiros portugueses, encontramos nas páginas de tal publicação periódica muita e útil informação à produção historiográfica.

Saliente-se, portanto, os clichés alusivos a grandes sinistros, a actos festivos dos corpos de bombeiros voluntários e/ou municipais da cidade de Lisboa, bem como à sua integração em manifestações públicas nacionais.

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Na primeira página aqui publicada, que se reporta a 14 de Outubro de 1912, identificamos, numa parada, realizada em Lisboa, decerto, de homenagem à República Portuguesa, a participação de um veículo pronto-socorro dos Bombeiros Voluntários Lisbonenses, seguido de pessoal do Corpo Activo, e ainda, noutro registo, de vários elementos a puxarem dois carros de tracção braçal. Quanto a estes, e pese embora a legenda da fotografia refira "material dos bombeiros voluntários na Avenida", parece-nos não estar correcta a informação, a avaliar pelas características do fardamento dos intervenientes. Supõe-se, antes, estarmos na presença de condutores dos Bombeiros Municipais de Lisboa, que tinham a seu cargo o transporte e manuseamento do material de combate a incêndios.

Relativamente à segunda página, datada de 8 de Julho de 1912, que documenta a intervenção dos Bombeiros Municipais de Lisboa e de populares num incêndio, chamamos a atenção para o requinte gráfico da mesma, nomeadamente o pormenor da ilustração utilizada como cercadura alusiva à temática dos bombeiros, constituída por mangueiras e agulhetas. Mas também para o trabalho penoso dos bombeiros, a começar pela escassez de água como agente extintor, conforme faz presumir o reduzido número de agulhetas empregues no combate ao fogo, o que motivou, cremos bem, o recurso a operações de maior envergadura e concertação.

Registe-se ainda a importância da “Ilustração Portuguesa” num tempo em que a fotografia não se encontrava generalizada entre os demais órgãos de imprensa, oferecendo por isso uma dimensão diferente e mais completa dos acontecimentos. Este aspecto, que então se revestiu de novidade na cobertura noticiosa e junto do público, permite-nos, actualmente, do ponto de vista da interpretação histórica, fazer uma análise mais realista dos factos em estudo e, por consequência, obter um levantamento iconográfico de maior pormenor.


…e “O Bombeiro Portuguez”


NHPMag.18.jpgRedigido e impresso na cidade do Porto, “O Bombeiro Portuguez” foi dado à estampa pela primeira vez no dia 2 de Abril de 1877. 

No respectivo cabeçalho não consta quem foram os seus responsáveis. Por exemplo, em consulta à colecção existente na Hemeroteca Municipal de Lisboa, reportada ao período de 1879-1884, detectámos apenas uma referência a J. R. da Cruz, na qualidade de redactor principal.

O célebre Guilherme Gomes Fernandes, expoente máximo do bombeiro português, esteve ligado a este periódico, integrando a redacção e merecendo referências elogiosas, no âmbito da sua vasta acção, tal como a que se segue:

"(...) Guilherme Gomes Fernandes tem-nos prestado valiosos serviços e na parte que tomou a seu cargo contestará a sua competência."

Pelo que se sabe da sua personalidade visionária e ao analisar-se “O Bombeiro Portuguez”, tudo faz supor que foi um dos mentores, ou talvez o principal, da profundidade do conteúdo da publicação. Além da forte atenção dispensada aos aspectos técnicos, são muitas as referências a serviços de incêndios do estrangeiro, de onde, inclusive, provinham as ilustrações dos artigos técnicos. Tudo aspectos que se relacionam com Guilherme Gomes Fernandes, pois era ele que, em Portugal, mantinha relações privilegiadas ao nível internacional dos bombeiros, concorrendo para o efeito o facto de dominar, fluentemente, vários idiomas.

“O Bombeiro Portuguez” esteve suspenso, ao que tudo indica, entre 1 de Março de 1883 e 15 de Junho de 1887, data do seu reaparecimento.

O “Boletim da Liga dos Bombeiros Portugueses” (Março de 1951), num trabalho intitulado "Os bombeiros e a sua Imprensa", atribui a suspensão do jornal ao suposto facto de Guilherme Gomes Fernandes ter sido nomeado, em 1885, inspector-geral de Incêndios do Porto.

Consta que o reaparecimento de “O Bombeiro Portuguez”, em 1887, se deveu à acção de tão importante vulto, que dele se tornou proprietário no ano de 1890, mais precisamente a casa comercial Guilherme Gomes Fernandes & C.ª.


Artigo escrito de acordo com a antiga ortografia

Site do NHPM da LBP:

www.lbpmemoria.wix.com/nucleomuseologico 

 

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