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Capa do jornal "Bombeiros de Portugal"

Director: Rui Rama da Silva

terça-feira,

12/12/2017

21:50

Os Bombeiros na objectiva de Benoliel

04/09/2017 10:26:17

Pesquisa/Texto: Luís Miguel Baptista

Os bombeiros estão presentes, desde sempre, nos diversos sectores da vida portuguesa. Assim documenta a imagem que apresentamos, da autoria do jornalista Joshua Benoliel (1873-1932), considerado como sendo o maior fotógrafo português do início do século XX.

Publicada na "Illustração Portugueza", a 13 de Novembro de 1911, regista um piquete dos Bombeiros Voluntários de Coimbra (BVC), pronto no seu posto, durante uma prova de bicicleta e motocicleta, com percurso compreendido entre Porto-Lisboa, organizada pela União Velocipédica Portuguesa.

Os-Bombeiros-na-objectiva-de-Benoliel.jpg"Intimismo e humanismo" são qualidades reconhecidas na vasta obra de Benoliel, "pai" do fotojornalismo no nosso país. E isso é possível verificar no exemplar que temos diante de nós.

Para além da firme solidariedade personificada em cada um dos retratados, o cliché em apreço, recorrendo à terminologia da época, tem interesse duplo, pois permite-nos identificar as condições do serviço de saúde dos bombeiros portugueses. Neste caso, limitado a uma maca de padiola e a uma caixa-ambulância (em cima do banco), contendo, por certo, substâncias e utensílios algo rudimentares mas susceptíveis de assegurar, com sucesso, a execução de pensos e curativos.

O médico Eduardo Agostinho, actualmente comandante do Quadro de Honra dos Bombeiros Voluntários de Rio Maior, numa abordagem sobre o "Desenvolvimento do Serviço de Saúde nos Bombeiros Portugueses", inclusa como capítulo de sua autoria no livro "Bombeiros Portugueses. Seis Séculos de História, 1395-1995", descreve o que, vulgarmente, continha uma caixa-ambulância:

"Nos espaços que ocupavam 2/3 laterais eram colocados pacotes de algodão salicilado ou 'phenicado', gaze iodoformada, talas, fio de seda, pastilhas de sublimado, pós de iodofórmio e ácido bórico, ataduras e uma pequena carteira cirúrgica."

Refira-se que, na ausência de carros motorizados, as caixas-ambulância, em madeira ou couro, eram transportadas nos carros braçais e carros hipomóveis, mas também às costas e a tiracolo. 

Tanto quanto sabemos, somente no ano seguinte, em 1912, foi adquirida a primeira ambulância dos BVC, ao que supomos uma maca rodada (o primeiro veículo motorizado, um pronto-socorro, marca Fiat, surgiu em 1923), sob a designação de "Cruz Amarela". Garantiam o seu serviço: um médico, um farmacêutico e um bombeiro instruído para o efeito, porventura, alguns dos fotografados por Benoliel, envergando o único tipo de uniforme em uso naquele tempo. Além de desajustado da missão, calcule-se quanto o mesmo deveria ser incómodo e, como tal, pouco prático! Calcule-se, ainda, quanto era difícil ser bombeiro, inclusive desprovido de quaisquer cuidados de protecção individual em termos sanitários, situação a qual se arrastou durante décadas.

De acordo com elementos históricos recolhidos, os recursos afectos à referida ambulância "auxiliavam todo o tipo de sinistrados resultantes de incêndios, transportavam as vítimas e faziam prevenções a espectáculos e a provas desportivas".

 

 

Artigo escrito de acordo com a antiga ortografia

Site do NHPM da LBP:

www.lbpmemoria.wix.com/nucleomuseologico

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