O Dia do Bombeiro e suas raízes
11/06/2019 10:41:40
Pesquisa/Texto: Luís Miguel Baptista
Durante muitos anos a data de 18 de Agosto foi consagrada
como Dia do Bombeiro, assinalando a vitória dos bombeiros portugueses, sob o
comando de Guilherme Gomes Fernandes, no Concurso Internacional de Bombeiros,
realizado em Vincennes, perto de Paris, por ocasião da Exposição Universal de
1900, patente na capital francesa.
O Dia do Bombeiro ocorreu, pela primeira vez, a 18 de Agosto de 1923.
A efeméride manteve-se inalterável até 1986, ano no qual os representantes dos
bombeiros portugueses, reunidos em congresso, decidiram transferir o Dia do
Bombeiro para o último domingo do mês de Maio, associando a este o significado
da data de 30 de Maio de 1932, que regista a aprovação dos primeiros estatutos
da Liga dos Bombeiros Portugueses (LBP), por portaria do Ministério do
Interior, e o reconhecimento da existência legal da confederação.
O facto de se ter generalizado o aumento exponencial da
actividade dos "soldados da paz" na vertente dos incêndios
florestais, penalizando a sua disponibilidade para as tradicionais celebrações
do 18 de Agosto, motivou a mudança verificada no Dia do Bombeiro que, por outro
lado, a partir de 1987 e de 2009, respectivamente, passou a denominar-se Dia
Nacional do Bombeiro e Dia do Bombeiro Português.
O triunfo histórico era lembrado em todo o país, sendo organizados para o
efeito, pelas associações e corpos de bombeiros, nas respectivas localidades,
vários actos evocativos, tais como: romagens aos cemitérios; celebrações
litúrgicas; desfiles; bênção e inauguração de novas viaturas; simulacros;
sessões solenes; entrega de condecorações; e promoção de novos bombeiros.
Hoje, a data está praticamente esquecida no calendário dos bombeiros
portugueses.
30 de Maio
Quando do surgimento da LBP, perante a adesão e confiança
dos bombeiros portugueses e o apoio do poder político, a respectiva Comissão
Executiva desencadeou desde logo várias acções, em consequência das resoluções
emanadas do Congresso fundacional reunido no Estoril, de 16 a 18 de Agosto de
1930. Assim, aconteceu, como por exemplo, com a redacção dos primeiros
estatutos, aprovados no I Congresso Nacional dos Bombeiros Portugueses,
realizado em Setúbal, entre 21 e 23 de Novembro de 1931.
Coroando de êxito os trabalhos da reunião magna, em menos de
um ano, a 30 de Maio de 1932, uma portaria do Ministério do Interior, assinada
pelo Ministro Mário Pais de Sousa, veio a reconhecer a legalidade do quadro
estatutário da Confederação. Este facto não só proporcionou a consolidação do
projecto iniciado no Estoril como abriu novas perspectivas à afirmação da Liga
dos Bombeiros Portugueses, nomeadamente, na sensibilização do poder político
para o acolhimento das legítimas aspirações do sector.
De sublinhar que, em consequência da oficialização dos
estatutos, foram eleitos, na Covilhã, por altura do III Congresso, ali reunido
de 21 a 25 de Julho de 1932, os primeiros corpos gerentes. Nesta ocasião,
tornou-se Presidente do Conselho Administrativo e Técnico (CAT), designação
adoptada para identificar o órgão de direcção, o Tenente António Vitorino França
Borges. A sua acção à frente dos destinos da LBP deixou profundas marcas
positivas. Durante o processo de legalização e perante o poder político, viu-se
obrigado a empenhar a honra de militar, como garantia de que a instituição não
tinha qualquer outro tipo de pretensão senão a defesa dos superiores interesses
dos bombeiros portugueses.
Ainda a propósito


Por ocasião do V Congresso Nacional dos Bombeiros
Portugueses, realizado em Espinho, entre 9 e 13 de Julho, o Governo conferiu à
LBP a Ordem de Benemerência, “em reconhecimento da acção (…) desenvolvida pelo
progresso dos Bombeiros de Portugal e, consequentemente, pelo bem da
Humanidade”. A imposição da condecoração no respectivo estandarte, efectuada
pelo Ministro do Interior, Mário Pais de Sousa, deu-se no momento do desfile
dos Corpos de Bombeiros representados no Congresso. A cerimónia foi assim descrita
no então Boletim da Confederação:
“Quando o estandarte da Liga chegou diante da Tribuna, o
cortejo fez uma pequena paragem e Sua Ex.ª o Ministro do Interior apoz no
referido estandarte as insígnias de Comendador da Ordem de Benemerência,
manifestando a satisfação com que o fazia, tanto mais que tinha tido a honra de
aprovar os estatutos da Liga dos Bombeiros Portugueses. Depois distinguiu com
expressões de reconhecimento os delegados francês e belga, no peito dos quais
colocou a medalha Comemorativa dos Congressos, felicitando os Corpos Gerentes
da Liga pelo brilhantismo e disciplina que observou no belo cortejo a que
assistiu, o que iria comunicar a Sua Excelência o Presidente do Conselho.”

Artigo escrito de acordo com a antiga ortografia
Site do NHPM da LBP:
www.lbpmemoria.wix.com/nucleomuseologico
Legendas das imagens:
1 – Cartaz do Concurso Internacional de Bombeiros – Paris,
1900
2 – Guilherme Gomes Fernandes e a equipa vitoriosa
3 – Celebração do primeiro Dia do Bombeiro – Lisboa, 1923
4 – Projecto de Estatutos da LBP – 1932
5 – Imposição da Ordem de Benemerência – Espinho, 1936
6 – Dia Nacional do Bombeiro – Vila Real de Santo António,
1999