HISTÓRIA RECENTE - Há 20 anos…
13/03/2019 11:51:28
Pesquisa/Texto: Luís Miguel Baptista
1999. Velozmente, aproxima-se um novo século. Ao mesmo
tempo, prevê-se, para a LBP, a entrada num novo ciclo de vida. Garantida é a
passagem do testemunho, na sua liderança. Depois de 10 anos na presidência da
Confederação, José Manuel Lourenço Baptista anuncia a sua decisão de não voltar
a candidatar-se. Prepara-se a sucessão, procurando uma mudança consensual. A
escolha recai, por unanimidade, na figura do Vice-Presidente do CE, Dr. Duarte
Nuno Caldeira, que se candidata às eleições do XXXVII Congresso, reunido em
Torres Vedras, de 27 a 31 de Outubro.

Ao Congresso, é apresentado um projecto que pretende “marcar
um momento de viragem”, apostado em “revitalizar as estruturas inseridas na Liga
e consensualizar soluções organizativas de inspiração reformista”. No âmbito
das mesmas considerações, condensadas em forma de compromisso programático,
destaca-se a opinião de que “a Confederação tem um crescente défice de
participação interna, traduzida numa estrutura excessivamente centralizada e
fechada sobre si própria”. Por essas e outras razões, defende a candidatura à
mudança que “a equipa dirigente da Liga para o limiar do novo milénio terá de
praticar uma liderança caracterizada pela clareza de objectivos, colegialidade
de funcionamento, racionalidade nas atitudes e posicionamentos, fidelidade a
princípios e inovação nas soluções”.
Por sua vez, o executivo em funções, que apoia a candidatura
a sufragar, parte para o Congresso de Torres Vedras com uma convicção:
“Sem prejuízo da identidade e autonomia das estruturas dos
bombeiros portugueses é imperioso abrir as portas à inovação organizacional, ao
aprofundamento dos nossos valores e a novas formas de afirmação da instituição,
junto da sociedade da qual emerge.”
E continuando, específica o seu ponto de vista:
“Importa continuar a defender a valorização do
associativismo e do voluntariado que caracteriza a organização estrutural dos
bombeiros portugueses, sem que esta orientação possa significar qualquer
espécie de rejeição à procura de novas formas para o seu desenvolvimento e
eficácia. É imperioso concluir uma base geral para um novo ordenamento da
actividade dos bombeiros, acolhendo nele a afirmação do binómio
Bombeiros-Municípios enquanto sustentáculo da segurança das comunidades e novo
espaço de parceria do qual resulte um novo modelo de funcionamento da sua
missão.”
A
s eleições realizam-se, com pacificidade, no dia 30 de
Outubro. Com apenas uma lista concorrente, são eleitos os órgãos sociais para o
triénio 2000/2002. O Padre Dr. Vítor Melícias Lopes (ABV Lisboa) mantém-se na
presidência da Mesa dos Congressos. Ao Conselho Executivo, Conselho Fiscal e
Conselho Jurisdicional passarão a presidir, respectivamente, o Dr. Duarte Nuno
Caldeira (ABV Agualva-Cacém), Eng.º José Manuel da Silva Torres (ABV Amarante)
e Dr. José André Canhoto Antunes (ABV Setúbal).
Em ambiente eleitoral, o CE manifesta-se:
“Confiamos nos homens que continuarão a honrar todos os que
nos antecederam, na edificação deste valioso património de serviço público que
é a Liga dos Bombeiros Portugueses.”
Na sessão de encerramento do Congresso, o Presidente do CE,
José Manuel Lourenço Baptista, recebe das mãos do Presidente da República, Dr.
Jorge Sampaio, o Crachá de Ouro da LBP, por “relevantes serviços prestados à
Nobre Causa”. Antes, porém, aproveitando a circunstância da reunião dos
legítimos representantes dos bombeiros portugueses, o ainda Presidente da Liga
dirige uma mensagem de despedida e balanço dos 10 anos de liderança:
“(…) considero que cometeria um grave atropelo à minha
consciência se não dirigisse ao universo dos bombeiros um forte ‘Bem Haja’ e um
profundo e sentido ‘Obrigado’ ao incontável número daqueles que, tendo como
ponto de partida o histórico XXVIII Congresso de Barcelos, realizado de 21 a 25
de Setembro de 1988, fizeram comigo uma das mais belas caminhadas no domínio do
socorrismo e da solidariedade.
Ultrapassada que foi a então dolorosa fase porque havia
passado a nossa Liga no ano que precedeu o Congresso de Barcelos – quiçá a mais
grave da sua história – gostaria de confessar o meu grande orgulho por fazer
parte de uma geração que impulsionou e ajudou a conduzir a Liga dos Bombeiros
Portugueses ao patamar dos dias de hoje, tornando-a, reconhecidamente, numa das
mais prestigiadas instituições da sociedade portuguesa.
À dignidade e ao trabalho, por vezes árduo e mal aferido em
termos de dedicação e competência dos muitos dirigentes ou membros dos Comandos
dos Corpos de Bombeiros, e também aos que investidos de responsabilidades nas
nossas Federações ou nos órgãos centrais da nossa Confederação, ficar-se-á a
dever, para sempre, o esforço de reanimação da consciência colectiva entretanto
operada numa perspectiva universalista, ao longo da última década.”
A passagem do testemunho dá-se, efectivamente, no dia 8 de
Janeiro de 2000, data da cerimónia de tomada de posse dos novos órgãos sociais
da Confederação, que tem lugar nas instalações dos Bombeiros Voluntários de
Vila do Conde, sob a presidência do Ministro da Administração Interna, Dr.
Fernando Gomes.
No discurso de tomada de posse, o novo Presidente nomeia as
grandes linhas estratégicas de acção, colocando as Federações no centro da
actividade da Confederação: afirmar o binómio municípios-bombeiros, reestruturar
os serviços mínimos de socorro através da institucionalização de grupos de
bombeiros em regime de permanência, criar um modelo de formação pedagógica dos
bombeiros, liderado pela Escola Nacional de Bombeiros (ENB), reformar o
ordenamento jurídico vigente, sobretudo em matéria de planeamento e coordenação
operacional, valorizar e reconhecer, socialmente, a missão dos bombeiros.
Artigo escrito de acordo com a antiga ortografia
Site do NHPM da LBP:
www.lbpmemoria.wix.com/nucleomuseologico