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Capa do jornal "Bombeiros de Portugal"

Director: Rui Rama da Silva

quinta-feira,

18/07/2019

23:25

Desfolhando a primeira monografia

08/05/2019 15:35:30

                                                                                                     Pesquisa/Texto: Luís Miguel Baptista

Pioneiros do voluntariado nos bombeiros em Portugal, os Bombeiros Voluntários de Lisboa (BVL), fundados a 18 de Outubro de 1868, destacam-se também no domínio da historiografia, por terem promovido a edição da primeira monografia sobre uma associação de bombeiros. Assim aconteceu em 1943, tendo a mesma se destinado a assinalar 75 anos ao serviço da cidade.

Intitulada "Os Bombeiros Voluntários de Lisboa no 75.º aniversário da sua fundação", teve como responsáveis, pela compilação e anotações, José Dias Ferreira e Manuel Vítor da Silva, comandante honorário e ajudante dos BVL, respectivamente.

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Seguidora, em termos de apresentação, da linha gráfica usual na época, ou seja, privilegiando mais a componente textual do que a fotográfica, a monografia encerra, porém, um importante registo cronológico e factual. É, à luz do conceito da "nova história", um estimulante ponto de partida para a pesquisa de muitos dos acontecimentos sinteticamente ali abordados, visando o seu aprofundamento e contextualização social.

Homenageando a iniciativa editorial dos Voluntários de Lisboa, não só damos a conhecer um pormenor da capa como reproduzimos, na íntegra, o que José Dias Ferreira e Manuel Vítor da Silva escreveram acerca do socorro prestado pelo corpo de bombeiros na revolução de 14 de Maio de 1915.

Como complemento, atente-se à imagem alusiva ao facto, retirada da “Ilustração Portugueza”, no seguimento da nossa recolha de informação, que apresenta – tendo como fundo o quartel do Largo do Barão de Quintela – pessoal e material dos BVL (uma maca coberta e um pronto-socorro), para além de tropas pertencentes ao 1.º Grupo da Campanhia de Saúde que estiveram em actividade no posto de socorros instalado na sede da Associação dos Bombeiros Voluntários de Lisboa (Rua das Flores, junto ao quartel), cedida para o efeito ao Exército, o que veio a merecer os maiores encómios.

Por fim, a título de curiosidade e, sobretudo, pela invulgaridade do seu conteúdo e difusão, citamos uma das inscrições presentes nas primeiras páginas de "Os Bombeiros Voluntários de Lisboa no 75.º aniversário da sua fundação", a qual supomos referir-se, especialmente, aos elementos dissidentes que, em 1910, fundaram, paredes-meias, a Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários Lisbonenses: "Aos que alguma vez pensaram empanar o brilho da nossa Associação, ou que sonharam coartar os serviços dos bombeiros voluntários e amesquinhar a sua actuação: Perdoai-lhes, Senhor, porque não sentiram o que fizeram."

Citando a primeira monografia

“Em Maio de 1915 deu-se a revolução que derrubou o governo do General Pimenta de Castro.

Foi, pode dizer-se, a primeira e mais violenta prova que pôs em destaque a Corporação.

O epicentro dos acontecimentos desenrolou-se precisamente na área do seu quartel; e com sacrifício de vida, sem conhecerem descanso e falhos de alimentação, durante três dias, não souberam os bombeiros o que era desânimo, extinguindo incêndios debaixo do fogo da artilharia, socorrendo feridos e conduzindo-os aos hospitais através o tiroteio, demolindo escombros para remover mortos e feridos.
Foi publicado, em tempo oportuno, o relatório descrevendo a actuação dos intrépidos bombeiros.

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Limitamo-nos, pois, a citar os nomes dos que foram agraciados pelo governo da Nação, com a medalha de prata de D. Maria II, concedida ao mérito, filantropia e generosidade:

Comandante, Ricardo Fernandes Esteves; Bombeiros: de 1.ª classe Artur Alberto Pereira; de 2.ª, Aires Machado, Eurico de Paiva e Pona e Joaquim José da Luz Preto; de 3.ª, Raúl dos Santos, C. Moniz, José Dias Ferreira, José Nunes da Cruz, Cassiano da Silva, José da Luz Preto, António Cardoso de Sousa, José Dias da Silva, Fernando Miguel Marques, Humberto Sanchez, E. Moniz, Carlos Madeira, Egas Ribeiro, Amadeu de Oliveira, Artur Sampaio, Júlio Amorim, Álvaro Horta, Armando Nascimento e Manuel Simões de Araújo. Maquinistas: Padre António de Sousa e Jorge Santos.”

                                                                                                                                                                         Artigo escrito de acordo com a antiga ortografia

                                                                                                                                                                                                                                                                  Site do NHPM da LBP:

                                                                                                                                                                          www.lbpmemoria.wix.com/nucleomuseologico 


Divulgar e fazer história

Desde sempre, de modo mais ou menos intenso, que o avanço da ciência e tecnologia vem perseguindo as estruturas dos bombeiros portugueses, nas mais diversas áreas de actividade.

Por conseguinte, durante a última década, no contexto da globalização, tornou-se generalizada a utilização da Internet para difusão de informação institucional.

Publicadas em sites, progressivamente melhorados em termos de conteúdo e apresentação, encontramos, sintetizadas, referências ao historial de associações e corpos de bombeiros, por via de texto e imagem, as quais consubstanciam preciosas fontes de informação e verdadeiros incentivos à realização de aprofundados estudos sobre a evolução das organizações e da prestação do socorro em Portugal.

Entretanto, em razão da facilidade de acesso às novas tecnologias, tem-se generalizado, também, a publicação de diferentes registos, mediante o recurso a vídeo e a outros suportes não menos importantes no plano da preservação e divulgação da história e, como tal, na abertura de novas perspectivas ao conhecimento.

Produzidos, sobretudo, por iniciativa particular, supostamente, sem a devida percepção do seu alcance, estamos na presença de documentos relevantes para a posteridade que facilitarão, decerto, às gerações futuras, a compreensão do passado que é hoje presente.

Nessa perspectiva, saliente-se, ainda, o fenómeno recente do surgimento da Web TV, configurada em projectos de dimensão local e/ou regional, que ao deterem-se na temática dos bombeiros, no âmbito da cobertura noticiosa, e disponibilizando as correspondentes peças, contribuem para o aumento de manancial informativo, um dia, susceptível de interesse e valor histórico.

                                                                                                                                                               LMB

 

 

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