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Capa do jornal "Bombeiros de Portugal"

Director: Rui Rama da Silva

quinta-feira,

22/11/2018

10:49

BOMBEIROS DE OITOCENTOS

05/01/2018 16:04:14

Memórias da quadra festiva

 

Pesquisa/Texto: Luís Miguel Baptista

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De acordo com o jornal “O Bombeiro Portuguez”, parece terem sido os Bombeiros Voluntários do Porto a promover, pela primeira vez, entre nós, em 1882, uma festa de passagem de ano, à semelhança do que se fazia no estrangeiro.

Esta revelação é feita na notícia referente à ceia de despedida do ano de 1883 e de entrada em 1884, organizada pela Real Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários do Porto, cujo menu reproduzimos pela originalidade da sua apresentação.

Destinado aos sócios activos, o evento teve lugar na sede da instituição e reuniu mais de 60 convivas, que se quotizaram especialmente para efeito.

O ambiente da festa revestiu-se da maior solenidade e elegância, a acreditar na descrição feita por “O Bombeiros Portuguez”, com data de 1 de Janeiro de 1884:

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"A meza, em forma de ferradura, foi collocada no espaçoso e elegante salão, ultimamente reformado. Os centros artisticamente dispostos e ornados com fructas e flores e a boa disposição das iguarias, davam á meza um aspecto deslumbrante, que era ainda realçado pela profusa quantidade de lumes dos candelabros e dos lustres."

De igual modo pormenorizado, o jornal relata como se viveu o exacto momento da "despedida do anno velho", termo que dá título à notícia:

"Diante de cada conviva havia sido préviamente collocada uma garrafa de champagne, e ao soar da meia noute, o presidente levantou-se e no meio de um ensurdecedor charivarri de hurrahs e bravos, cada um fez saltar a rolha da sua garrafa e bebeu-se á prosperidade da associação e ao feliz advento do novo anno. Foi uma lembrança feliz, da comissão organisadora do banquete, e que produziu um effeito imponentissimo."

Esteve presente na ceia, entre outras personalidades, Guilherme Gomes Fernandes, então inspector-geral do Serviço de Incêndios do Porto.

Foram feitos vários brindes, nomeadamente ao inspector, que agradeceu num sentido discurso, bem como ao rei D. Carlos (presidente honorário da associação) e à rainha D. Amélia.



Bombeiros sem descanso em dia de Natal

 

nhilust.jpgNo dia 25 de Dezembro de 1882, um incêndio destruiu por completo a capela do Coração de Maria, da Venerável Ordem Terceira de S. Francisco, situada no Campo Grande, em Lisboa.

Edificado em 1650, o templo reunia importantes obras de arte sacra, além de valiosos trabalhos em estuque.

As chamas lavraram com violência, configurando, segundo testemunho da época, "uma medonha fornalha que já era impossivel apagar, mesmo ainda se os soccorros acudissem com promptidão Uma hora depois, apenas existiam da egreja as paredes e o arco cruzeiro da capella mór, e das propriedades algumas divisões dos extremos, talvez por serem de alvenaria".

nhtab.jpgTodo o património não se encontrava a coberto de seguro.

Os prejuízos compreenderam uma área de cerca de 800 metros quadrados e saldaram-se em 25 mil réis.


A capela cumprira serviço religioso até às nove da manhã, hora do encerramento naquele dia.

O incêndio foi identificado mais tarde, cerca das duas e meia da tarde, na capela-mor, desconhecendo-se a sua origem.

Sabe-se, contudo, que os primeiros bombeiros a acorrerem ao sinistro foram os do serviço de incêndios dos Olivais, seguidos dos meios (duas bombas) de uma fábrica de lanifícios situada junto à capela, bem como dos Voluntários do Lumiar e de Lisboa.

Compareceram também os Bombeiros Municipais da capital, fazendo deslocar para o Campo Grande as bombas aquarteladas nas proximidades, um carro de mangueiras e um carro de ferramentas.

Os bombeiros dos Olivais (corporação extinta, tal como a dos Voluntários do Lumiar) mantiveram-se de serviço até ao dia seguinte, em trabalhos de rescaldo.


Incêndio no Porto

 

Já em 1881 o dia Natal ficara tristemente assinalado na cidade Invicta, em virtude da ocorrência de um incêndio que destruíra um forno de padaria e um barracão, sitos na Rua de Cedofeita.

Segundo notícia publicada no jornal “O Bombeiro Portuguez”, na sua edição de 1 de Janeiro de 1882, intervieram neste sinistro pessoal e material do Corpo de Salvação Pública (municipais) e dos Voluntários do Porto.

Um bombeiro voluntário e um cabo da Guarda Municipal ficaram ligeiramente feridos durante o combate às chamas.


Artigo escrito de acordo com a antiga ortografia
Site do NHPM da LBP:
www.lbpmemoria.wix.com/nucleomuseologico 


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