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Capa do jornal "Bombeiros de Portugal"

Director: Rui Rama da Silva

terça-feira,

12/12/2017

21:49

As redes sociais e a história informal

04/09/2017 10:38:15

As redes sociais entraram nos nossos hábitos quotidianos e têm as suas vantagens, desde que geridas convenientemente, isto é, desde que não nos tornemos delas dependentes e as saibamos utilizar com bom senso.

De momento, o Facebook constitui a rede mais conhecida e também a mais procurada, atingindo um número estrondoso de utilizadores a nível mundial.

Em Portugal vimos constatando uma exponencial aderência à mesma por parte de instituições e particulares com ligação aos bombeiros, que aproveitam as funcionalidades das respectivas páginas para publicar, entre outros conteúdos, fotos antigas.

Por certo sem se aperceberem das incidências dos seus actos, todos quantos assim agem estão a prestar serviço à história, pois muitas das sugestivas imagens publicadas, preciosas fontes de informação, inspiram curiosidade em sabermos qual o passado de aspectos retratados, tal como a origem e o tempo de vida útil de veículos automóveis ou o percurso de bombeiros e dirigentes ao serviço da causa.

Aliás, basta cada um de nós lembrar-se de alguma circunstância patente para, irreflectidamente, estarmos a preservar a história.

Através das redes sociais ganham as pessoas, porque tudo se torna mais acessível, nomeadamente a troca de informação, para além do contacto com amigos e conhecidos; e ganha a história, dado que tende a ficar mais próxima, informal e, também por isso, mais atraente e susceptível de reunir contributos para o aprofundamento de novas matérias.

São as pessoas que mais se destacam nas fotos publicadas, aspecto importante a reter, ou não fossem os homens que fazem as instituições. Estamos, portanto, na presença de história de vida, convidativa a explorar a vertente biográfica de homens e mulheres, aos olhos do público em geral, cidadãos anónimos, que merecem um aturado estudo e ser atirados para a ribalta, pelas lições de civismo que deixaram como legado. Esta é a minha convicção, sobretudo após analisar várias páginas do Facebook, permitindo-me destacar a de um particular - bombeiro e amigo - que decidiu partilhar dezenas de fotografias do seu corpo de bombeiros. Uma extraordinária recolha, por via da qual eu próprio tive a oportunidade de viajar no tempo e rever muitos dos magníficos que, um dia, conheci, fascinaram-me e tiveram o condão de contagiar-me com a "bombeirite", parafraseando o médico Américo Pais Borges, comandante do Quadro de Honra dos Bombeiros Voluntários de Canas de Senhorim, destacado dirigente dos bombeiros portugueses.

Em matéria de bombeiros, o que encontramos no Facebook – como escreveria o Padre Vítor Melícias num outro contexto mas que se assemelha ao nosso pensamento – é "um pedaço da vida de Portugal, vivida e aqui escrita por bombeiros com a ternura de um filho a narrar, na Ilheza do verbo mais sentido que aprendido, as memórias do velho pai fardado na parada solene ou a galgar telhados e penetrar florestas em chamas para salvar vidas e bens sempre de outrem". Ou, ainda: "(…) aqui o que há é História-Vida, transmitida por quem melhor manobra a agulheta que a pena e tanto diz com o coração quanto com a memória e o saber de vivência feito".

 

LMB

Artigo escrito de acordo com a antiga ortografia

Site do NHPM da LBP:

www.lbpmemoria.wix.com/nucleomuseologico

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