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Capa do jornal "Bombeiros de Portugal"

Director: Rui Rama da Silva

quarta-feira,

13/11/2019

11:34

A Federação dos Bombeiros Portugueses

04/11/2019 15:51:10

                                                                                                     Pesquisa/Texto: Luís Miguel Baptista

Com alguma frequência, tende-se a confundir a existência da Liga dos Bombeiros Portugueses (LBP) como uma continuidade da extinta Federação dos Bombeiros Portugueses (FBP). Nada mais incorrecto, pois estamos na presença de organizações distintas, com trajectórias completamente diferenciadas.

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A FBP foi fundada a 17 de Abril de 1904, em homenagem ao saudoso Inspector Guilherme Gomes Fernandes que, por ocasião do I Congresso dos Bombeiros Portugueses, reunido no Porto, de 28 de Junho a 1 de Julho de 1889, se batera pela criação da Liga Fraternal de Bombeiros (LFB).

Apesar de definidos os seus fins sociais, a LFB não conheceu sucesso, designadamente, por dificuldades logísticas, o que impediu o desenvolvimento de toda e qualquer acção pelos membros indicados para a respectiva comissão organizadora.

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Deveu-se, sobretudo, ao impulso do Comandante Júlio Alexandre da Silva, dos Bombeiros Voluntários de Linda-a-Pastora, personalidade complexa também ligada à organização do Congresso do Porto, a fundação, no limiar do século XX, da novel Federação dos Bombeiros Portugueses.

“Alguns comandos superiores de corporações de bombeiros reconhecendo a imperiosa e absoluta necessidade que ha em federarem as suas corporações para melhor poderem desenvolver e aperfeiçoar os serviços de salvação publica por meio de conferencias, congressos, concursos, e prestar socorros mútuos ao pessoal que os desempenha, por meio de uma Caixa Geral de subsídios pecuniários e pensões vitalicias, que ponha ao abrigo da miseria as victimas do dever, suas viúvas e orphãos, resolveram instituir a Federação dos Bombeiros Portuguezes”, lê-se no preâmbulo das disposições regulamentares da FBP, que teve como corporações fundadoras as sediadas nas seguintes localidades: Covilhã, Guarda, Braga, Vila Franca de Xira, Algés, Oeiras, Figueira da Foz, Mirandela, Paredes, Viseu, Cascais, Chaves, Coimbra, Arruda dos Vinhos, Vila Real de Santo António, Sintra, Paço de Arcos, Póvoa de Varzim, Leiria, Vila Real, Portalegre, Felgueiras, Marinha Grande, Alhandra, Barcarena, Moçamedes, Lourenço Marques, Torres Vedras, Dafundo, Fundão, Sesimbra, Cidade da Praia e Luanda.

Prematuramente, a instituição viveu momentos de instabilidade, permanecendo inactiva durante longo tempo. Funcionou, apenas, nos períodos de 1904-1905, 1923-1926 e 1927-1928.

mem_5.jpgApesar das meritórias intenções dos seus dirigentes e delegados provinciais, quer na metrópole, quer nas colónias, não são conhecidos benefícios que tenham marcado especialmente os bombeiros portugueses, decorrentes da intervenção da Federação, exceptuando a realização de eventos e a edição de publicações de pendor técnico e informativo, dimensionadas à rudimentaridade da época, entre as quais o “Jornal dos Bombeiros”.

Reactivada em 23 de Março de 1924, através de novos protagonistas, voltou a ser atingida por uma atribulada fase, caracterizada por movimentos de protesto, alegando-se a incapacidade dos seus responsáveis. Sujeita a nova tentativa de normalização da vida interna, no dia 10 de Abril de 1927, por via da eleição de uma Comissão Administrativa presidida pelo Comandante Júlio Alexandre da Silva, não obteve, definitivamente, êxito. De resto, os problemas aumentaram de nível, com incidências muito negativas, envolvendo a detecção de graves irregularidades financeiras, o que obrigou à intervenção das autoridades competentes. Desde então, não há registo de qualquer acção da FBP, exceptuando o conhecimento do curioso facto de que a mesma nunca teve existência legal, conforme documento emitido pelo Governo Civil de Lisboa, datado de 22 de Novembro de 1928.

Da análise feita aos períodos em que se manteve activa, somos levados a concluir que a Federação dos Bombeiros Portugueses configura, em bom rigor, um nebuloso fragmento da gloriosa história dos bombeiros portugueses. mem_6.jpg

Em 1933, já a LBP tinha sido audazmente fundada no Congresso do Estoril e legalizada por portaria do Ministério do Interior, o Comandante Júlio Alexandre Silva, figura centralizadora da FBP, manifestava, com alguma violência verbal, nas páginas do “Jornal dos Bombeiros”, o seu inconformismo em relação ao fim da mesma. Parecia isolado e esquecido pelos seus antigos pares, não se revendo, em absoluto, no projecto liderado pela Liga. Se, porventura, um dos valores acrescentados da história reside em aprender com o passado, a curta e perturbada vigência da Federação dos Bombeiros Portugueses ensina-nos que nada na vida é definitivo e que há sempre uma solução para cada problema.

                                            

                                           Site do NHPM da LBP;                www.lbpmemoria.wix.com/nucleomuseologico


                                                                                 Artigo escrito de acordo com a antiga ortografia


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