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Capa do jornal "Bombeiros de Portugal"

Director: Rui Rama da Silva

quinta-feira,

18/07/2019

23:56

Vontade máxima não consente “serviços mininos”

08/05/2019 15:33:02

Diz o poeta que “o tempo pula e avança” e, na verdade, o que era ontem deixou de o ser hoje, também, neste setor. As mudanças surgiram em catadupa e do passado, até do mais recente, pouco resta, talvez só mesmo a entrega, a “tal” abnegação de bombeiros e dirigentes que insistem e persistem numa causa, ainda que o mundo se mova a pragmatismo.

Em poucos anos, a profissionalização dos corpos de bombeiros, não só ganhou expressão como se tornou uma inevitabilidade, não apenas para garantir a prontidão e a qualidade do socorro prestado às populações, mas, sobretudo, para preservar o voluntariado que é, aliás, um bem único, impagável e, por isso, insubstituível.

As crescentes solicitações profissionais, académicas, familiares, roubam o básico: tempo.

Noutras áreas será, talvez, mais fácil conciliar as disponibilidades com os propósitos a cumprir, mas os rígidos requisitos exigidos aos bombeiros desde o primeiro instante constituem um entrave ao ingresso de efetivos neste contingente de paz, colocado ao serviço do socorro e segurança das populações. Às mulheres e homens que se propõem servir abnegadamente o lema “Vida por Vida” – leia-se que arriscam a sua vida para salvar as de outros, sem qualquer remuneração, a custo zero – são exigidos formação inicial, formação contínua nas mais diversas valências, preparação, profissionalismo em todas as missões e escrupuloso cumprimento de um número mínimo de 200 horas anuais, sendo que 160 terão de ser aplicadas em operações de socorro, piquetes, simulacros e exercícios e as restantes 40, em instrução. Acontece que as exigências de um quartel e a emergência do socorro não se compadecem com “serviços mininos”, a cada um dos operacionais, dos bombeiros voluntários é pedido muito, em troca de pouco mais do que o sentimento de dever cumprido e, só por isso, se outros motivos não existissem, importa não malbaratar um recurso que é único, valorizá-lo à exaustão com incentivos, sérios, desde logo o reconhecimento, mas também margem para que possam complementar o serviço prestado pelo quadro de funcionários das associações humanitárias.

Importa pensar nisto, mais ainda, quando por este País fora, somos despertados pelo entusiasmo dos pequenos infantes e cadetes, que provam que o voluntariado nos bombeiros não se perdeu, tem até o futuro assegurado, saiba o nosso País e os responsáveis do setor tenham engenho e armar para preservar e estimar este valiosíssimo património humano.

                                                                                                                                                 Sofia Ribeiro

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