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Capa do jornal "Bombeiros de Portugal"

Director: Rui Rama da Silva

sexta-feira,

21/09/2018

04:39

Obrigada Bombeiros de Portugal

06/09/2018 12:48:11

jornalagost.jpgE Portugal voltou a estar nas parangonas, uma vez mais em “época de incêndios”, naturalmente pelos piores motivos. Durante uma semana, as chamas lavraram em Monchique reduzindo a cinza 27 mil hectares de floresta e mato, destruindo casas e estruturas agrícolas. Ainda que sem registo de mortes, este fogo não deixou de ganhar o estatuto de maior da Europa, uma distinção dispensável, mas (quase) inevitável.

Alegadamente, nem todo correu bem e sendo certo que meios não faltaram a um megadispositivo, ganha forma a teoria da descoordenação, várias vezes denunciadas pelas populações, sobretudo pelas pessoas que foram forçadas a deixar tudo para trás, sem certezas de que os operacionais no terreno seriam suficientes para defender os seus bens, afinal património de uma vida de trabalho. Os relatos de quem tudo perdeu funcionam como um murro no estômago, porque em Monchique tal como, o ano passado, em Pedrógão Grande ou Oliveira do Hospital já não haverá tempo, nem condições para reconstruir uma vida.

Mais uma vez, pecou por defeito o reconhecimento dado ao trabalho dos bombeiros, muitas centenas de mulheres e homens de todo o País, a maioria voluntários, que arriscaram as suas vidas para salvar as de outros. No teatro de operações, outros ganharam protagonismo, com a certeza, porém, que nem mesmo a injustiça pode beliscar a entrega e o profissionalismo dos bombeiros de Portugal que são aliás o principal agente de proteção civil, em muitas frentes e não apenas no combate aos incêndios florestais ou rurais que se resumem a cerca de sete por cento da sua atividade durante os 365 ou 366 dias por ano, setes dias por semana, 24 horas por dia.

É tentador, porque fácil, romantizar a figura do bombeiro. Uma meia dúzia de frases feitas, adornadas com clichés, chavões ou lugares comuns servem para não mais que para roubar humanidade ao herói, porque na verdade, sublinhe-se, estas mulheres e homens não procuram notoriedade, afirmam-se, naturalmente, pela diferença.

Ainda assim, – e porque, nestas colunas, procuramos sempre humanizar a figura do bombeiro – não resistimos à publicação de uma imagem, daquelas que valem bem mais que 100 palavras e certificam a generosidade dos efetivos deste exército de paz. Na fotografia, Sónia de Jesus, nossa colega de trabalho aqui na Liga dos Bombeiros Portugueses e voluntária nos Bombeiros de Oeiras esteve em Monchique deste a primeira hora integrada num dos Grupos de Reforço de Ataque Ampliado de Lisboa (GRUATA-02). Das muitas histórias de dias difíceis, de uma ou outra queimadura mais ligeira e do normal cansaço fica, contudo, esta fotografia que testemunha a “adoção” de um burrito, que em pleno teatro de operações recebeu todos cuidados, alimentação e água.

Por esta imagem que de alguma forma ilustra bem o lema dos bombeiros – todas as vidam contam – e por todas as outras que ficam por revelar, obrigada Bombeiros de Portugal!

Sofia Ribeiro

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