Colossal dívida de gratidão
08/08/2019 10:13:06
Nesta edição contamos mais algumas histórias de bombeiros e o
que fazemos, assinale-se, com uma enorme satisfação, pois personalizar, revelar
o rosto, dar voz e visibilidade, neste caso, é sinónimo de humanização da
figura das mulheres e dos homens que assumiram o compromisso de salvar vidas,
usando, com orgulho e brio um invisível distintivo de voluntário.
Sensibiliza-nos, sempre, e ainda nos surpreende, a
naturalidade com que falam de uma escolha para vida, como seja tão simples,
assim; como se esta seja uma missão acessível a qualquer um. Não deixa de ser
tocante que um ato de coragem, aos olhos do comum dos mortais, signifique para os
soldados deste exército da paz apenas mais uma missão cumprida a que seguirão
muitas outras, até porque a sirene, a campainha ou o telefone ou não tardam a
ecoar, despertando os incansáveis operacionais para mais uma e depois outra e
ainda outra ocorrência.
Gonçalo Monteiro, João Silva e também Sílvia Nunes, embora
forçada a deixar o seu País e a interromper o sonho, são exemplos de total
entrega à causa e ao outro, que, geralmente, não conhecem e sobre o qual nada
sabem, mas a quem, ainda assim, dão primazia, deixando para trás, não raras
vezes, a família e os amigos mergulhados em angústias e preocupações que só
amainam no momento do regresso ao lar.

A ideia não seria endeusar a figura do bombeiro, mas, quando
todos os dias temos a grata satisfação de lidar com pessoas inspiradoras, é
quase inevitável enveredar pelo “romantismo” associado a uma escolha de risco,
mas que só poder ser feita pelo coração, porque a razão não consegue explicar
como e porquê alguém dá tudo de si, sem nada esperar em troca e que ainda é, muitas
vezes, criticado e desrespeitado por um País que tem uma dívida colossal de
gratidão aos bombeiros voluntários.
Há poucos dias Portugal ficou mais pobre com a inesperada
partida de um destes bravos soldados, o comandante Virgílio Pereira, dos
Bombeiros de Areosa Rio Tinto, um homem rendido à causa desde menino e que, há
pouco mais de um ano, por mérito, assumiu o compromisso, de retribuir com
trabalho e saber o muito que esta sua casa lhe deu. Cumpriu a missão com rigor
e com um enorme e contagiante entusiasmo. Partiu um homem bom, de sorriso
franco e fácil, mas o exemplo perdurará e irá, certamente, nortear e orientar o
seu efetivo, mas, também, muitos outros de quartéis de todo o País.
Até sempre comandante Gil. Obrigada!
Sofia Ribeiro