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Capa do jornal "Bombeiros de Portugal"

Director: Rui Rama da Silva

quinta-feira,

22/11/2018

10:52

Apontamentos, desabafos, regozijos e inquietaçõe

11/05/2018 15:53:42

jornalbpabril1.JPGÉ com particular entusiasmo que quem acompanha de perto a atividade dos Bombeiros de Portugal assiste ao crescimento e disseminação das escolas de infantes e cadetes, o que não sendo a garantia de um futuro reforço dos quartéis é, certamente, uma certeza de cidadãos com cultura de segurança e apego à causa e assim sendo, apesar do enorme esforço logístico e financeiro esta é uma aposta ganha pelas associações humanitárias, mas também um precioso contributo para uma sociedade melhor, com arreigados valores como a solidariedade, humanismo e voluntarismo.

Pelo exemplo, pela tenacidades ou até mesmo pela saudável teimosia estão de parabéns dezenas instituições, de Norte a Sul do País e ilhas, onde os mais novos são presença assídua nos quartéis, onde aprendem, convivem e, de alguma forma, contribuem para o rejuvenescimento da causa e das mentalidades.

Refira-se, a título de exemplo, o trabalho desenvolvido pelos bombeiros de Coimbra que já no final do mês voltam a reunir, desta feitas em Lagares da Beira, uma força de palmo e meio com perto quatro centenas de crianças e jovens de vários pontos do distrito, unidos pela alegria com que vivem estas coisas dos bombeiros. Também no final de maio Viseu mobiliza os seus “bombeirinhos de ferro” num encontro que visa, no essencial, fomentar o convívio e o espírito de união, aliás sempre presentes do seio da enorme família dos bombeiros portugueses.

 

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jornalbpabril.JPGNos últimos meses muito foi dito, outro tanto foi escrito, nasceram de geração (quase) espontânea especialistas e peritos em tudo e mais alguma, no que ao setor diz respeito.

Os incêndios de 2017 mataram mais de uma centena de pessoas, causaram prejuízos brutais e deixaram um rasto de tristeza, mágoa e impotência nos quartéis de bombeiros, que com o tempo que degenerou em revolta. Os soldados da paz sentem-se injustiçados, enxovalhados e não o escondem. São, sobretudo, os comandantes, mas, também muitos dirigentes, que nas suas intervenções públicas fazem questão de deixar claro que “quem não se sente não é filho de boa gente”.

Dos quartéis de Albergaria-a-Velha, ílhavo, Alvito e de tantos outros, as vozes de comando ecoam mais alto para pedir bom senso, silêncio, estratégias válidas e políticas sérias tudo a bem do merecido reconhecimento do serviço público de excelência e de exceção prestado pelos bombeiros à nação.

Numa alocução crua e coerente o comandante José Valente, lamentava, há dias, “a forma atroz como os Bombeiros foram tratados por pessoas com responsabilidade extrema no destino do nosso País”, para depois defender que “há mais especialistas e entendidos a opinar sobre bombeiros e proteção civil nos média, nas redes sociais e também pelas tascas e cafés, do que bombeiros voluntários em todos os quartéis deste País”.

Como se não bastassem os polivalentes e multifacetados comentadores de todas as matérias, as individualidades com responsáveis no setor mas com opiniões intermitentes, os técnicos independentes de ideias fixas ou feitas, os fazedores de relatórios, ainda surgem uns peritos estrangeiros para ensinar vá se lá saber o quê.

Entretanto, há a registar mais um reacendimento do fogo da polémica com a demissão do comandante nacional operacional – mais um –, a que se juntam os mais de três mil incêndios deflagraram em Portugal, apenas desde o início do ano, um alerta soa, mas por continua a ser abafado pelo muito ruído de fundo…

Perante tudo isto, parece restar, para tranquilizar a Pátria lusa a resiliência, o profissionalismo, a preparação, a prontidão e a entrega dos seus bombeiros.

 

Sofia Ribeiro

 

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