JOSÉ FERREIRA EM DISCURSO DIRETO
ENB pede colaboração dos formadores e associações
07/07/2017 11:59:47
ENB apela a esforço conjunto por parte das associações e
formadores, para atingir um volume de formação superior a 1,4 milhões de horas
de formação
A Escola Nacional de Bombeiros (ENB) viu aprovada uma
candidatura submetida ao Programa Operacional Inclusão Social e Emprego
(POISE), com um volume de formação superior a 1,4 milhões de horas de formação
a bombeiros, mas, entre outros constrangimentos, os fundos comunitários
atribuídos apenas irão cobrir metade dos custos, como explica o presidente da
ENB, José Ferreira,
que apela à colaboração dos formadores e das associações.
Em que consiste esta candidatura apresentada ao Programa
Operacional Inclusão Social e Emprego (POISE)?
Trata-se de um projeto de formação apresentado em agosto de
2016 e cuja aprovação nos foi comunicada em maio passado, aguardando-se a respetiva
assinatura do contrato. A candidatura aprovada prevê a realização de um volume
de formação de cerca de 1 milhão e 400 mil horas de formação, repartidas por
três áreas geográficas equivalentes às Comissões de Coordenação e
Desenvolvimento Regional (CCDR) do Norte, do Centro e do Alentejo.
Porque é que as outras zonas do país não foram abrangidas?
Esse é um dos problemas que temos, na medida em que, segundo
as regras comunitárias, grande parte do distrito de Lisboa, uma parte do
distrito de Setúbal, e todo o distrito de Faro,
não são elegíveis para receber apoios comunitários. Ou seja, as
corporações destas áreas não terão acesso direto ao volume de formação aprovado.
A ENB irá tentar contornar essa limitação?
Sim, os CB que se localizam nestas zonas não serão
prejudicados, realizando formação a custas da ENB, dado que este apoio também
permitirá redirecionar fundos próprios para a realização de formação nas áreas
que não são elegíveis.
Que tipo de formação será ministrada?
Quanto ao leque de formação será vasto, desde o ingresso e
acesso, bem como de aperfeiçoamento técnico e/ou atualização. Estão incluídas
as áreas de TAT, TS, Salvamento e Desencarceramento, Incêndios Florestais
(níveis 1 e 2), Incêndios Urbanos e Industriais (níveis 1 e 2), Condução
Defensiva, Matérias Perigosas e Liderança e Motivação Humana. O processo de
constituição das turmas está já a ser conduzido em articulação com os
comandantes distritais da ANPC, os formadores e respetivos comandantes dos CB.
E, nas áreas elegíveis, o POISE financia o projeto na
totalidade?
Não, e esse é outro grande constrangimento: só nos foi
atribuída cerca de metade da verba destinada a pagar a honorários com os
formadores para o volume de formação proposto, ou seja, os 1,4 milhões de
horas. Houve uma diminuição muito considerável e o resultado é que na região
Norte, só 43,4% desta rubrica foi aprovada, na região Centro 42,92% e na região
do Alentejo 53,33%. Ou seja, a ENB vai ter de encontrar forma de poder
compensar esta verba que não é comparticipada por este programa.
Como é que essa compensação será feita?
Desde o início da atividade da ENB que um dos seus objetivos
é dotar os CB de formadores para que estes sejam autónomos em algumas áreas de
formação. Mesmo com o esforço que tem existido nos últimos anos na formação de
formadores, ainda não nos foi possível atingir este objetivo. Assim temos que
apelar mais uma vez à compreensão e colaboração dos formadores externos, até
porque nos termos do regulamento dos formadores da ENB, é seu compromisso
assegurar anualmente duas ações de formação sem honorários. De acordo com
orientações definidas pelos associados da ENB na última assembleia geral (a
ANPC e a LBP), adotaremos a seguinte estratégia: por cada ação ministrada sem
honorários, a seguinte será com honorários, porque só desta forma conseguiremos
equilibrar os 50% que não são financiados.
E espera contar com a colaboração dos formadores?
Reconhecemos que é um esforço, mas também é uma oportunidade
que temos para ministrar mais formação aos bombeiros portugueses, grande parte
dela de aperfeiçoamento técnico e de atualização, que de outra forma não haverá
possibilidade de se realizar. Nesse sentido, teremos todos de fazer um esforço
até julho de 2018, para atingir este volume de formação e não termos de
devolver parte da verba agora atribuída.
Outra dificuldade será a ausência de pagamento das refeições
dos formandos. A que se deve essa situação?
É outra das condicionantes com que somos confrontados, dado
que nos termos da candidatura aprovada não conseguimos ter os recursos
financeiros para suportar as despesas de alimentação. Se a ENB tivesse de o
fazer, teria de encontrar quase 200 mil euros dos seus recursos próprios, o que
é impossível. Assim, pede-se também a colaboração das AHB para que estas
suportem as refeições dos elementos que vão frequentar a formação. No entanto,
para os formandos que se encontram em processo de formação de acesso na
carreira de Bombeiro Voluntário e de Oficial Bombeiro, a ENB suporta as
despesas com a alimentação.
Os CB que se localizam geograficamente nas zonas que não são
elegíveis segundo as regras comunitárias, terão a necessidade de fazer maiores
deslocações para CB geograficamente localizados e que
sejam elegíveis no âmbito do programa. Em Lisboa, por exemplo, como o norte do
distrito está enquadrado em termos comunitários na área da CCDR Centro,
naturalmente que iremos procurar que as associações excluídas à partida (por
ex. Sintra Cascais, Oeiras, Loures, etc.) possam ir receber a formação aos concelhos
da área norte de Lisboa, logo, com enquadramento.
