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Capa do jornal "Bombeiros de Portugal"

Director: Rui Rama da Silva

sexta-feira,

04/12/2020

21:40

Gozar com o pagode

03/09/2020 18:46:29

A criação da AGIF surgiu no meio de uma névoa sebastianista, bem regada por dinheiro, e com inúmeras certezas de que tudo o que estava para trás passava à história e agora é que era tudo bom, com todas as soluções para tudo o que diria respeito às florestas.

Ninguém tem dúvida que pegar pelos ditos o problema das florestas tem que se lhe diga mas entre o muito que tem sido dito e o que se vê vai sempre uma grande diferença, ainda por cima neste caso da AGIF para quem não faltou nem continua a faltar dinheiro.

Dizem alguns que de boas ideias está o inferno cheio e não será demais repeti-lo sempre que, quando em vez, surgem umas cabeças iluminadas com soluções milagrosas que nunca ninguém viu ou outras que toda a gente conhece, mas para que falta sempre vontade real e meios para lá chegar.

E no meio desta conversa, às vezes verdadeira algazarra, lá estão os bombeiros que, cientes das suas dificuldades de meios, não deixam de manifestar a sua disponibilidade e capacidade para ir a todas. Isto quer dizer que como diz o ditado, os cães ladram e a caravana passa.

Os bombeiros veem desfilar os figurões, ouvem-nos dizer o que lhes vem à cabeça e, sem distrações nem ilusões continuam a fazer o seu trabalho. Trata-se de um trabalho cansativo, pelo esforço que implica o combate às chamas, calcorrear montes e vales atrás delas. Mas mais cansativo é assistir à feira das vaidades habituais, saber os meios que lhes faltam e que não chegam e ainda ouvir também que a AGIF quer organizar espetáculos com quase 200 mil euros, que tanta falta fazem para a substituição dos EPI. Se isto não é gozar com o pagode, dito bombeiros, então o que é?


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