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Capa do jornal "Bombeiros de Portugal"

Director: Rui Rama da Silva

domingo,

15/09/2019

06:28

A melhor homenagem é continuar

09/01/2019 12:45:07


Quando as pessoas morrem a tendência é sempre considerá-las boas pessoas e até bestiais. E como sabemos a realidade, verdade, verdadinha nem sempre é essa.

Ao contrário, há aqueles que ao longo da sua vida foram mesmo bestiais. E não é por serem apenas nossos companheiros que assim os consideramos. É por que no tempo breve que por cá passaram deram mostras de ser mesmo bestiais.

Falo da enfermeira e bombeira Daniela Silva, do médico Luis Veja, do piloto João Lima e do copiloto Luis Rosindo, vítimas do despenhamento do helicóptero do INEM em que seguiam.

Já vimos partir muitos dos nossos, uns em serviço, outros vítimas de doenças para que não foi possível solução. De todos eles guardamos sempre a boa memória de alguém que partilhou connosco a vontade de defender o nosso semelhante. Trata-se de uma vontade individual, de cada um de nós, mas que se junta às dos outros companheiros e de cujo conjunto resulta o trabalho que nós, nos bombeiros, e os companheiros do INEM realizamos todos os dias. A missão é sempre a mesma, ou seja, cuidar do nosso semelhante, cada um com recurso ao que melhor sabe fazer. A vontade não é apenas individual e a missão também não. Tudo se conjuga no trabalho, no bom trabalho que cada um sabe fazer para na entreajuda levar a cabo o socorro.

Nos teatros de operações, melhor que ninguém, sabemos que nem sempre é fácil. Aliás, sabemos que muitas vezes é difícil. E, porventura não é mais, precisamente, porque partilhamos os nossos saberes em conjunto e desse trabalho resulta a superação de tantas dificuldades, tantos momentos difíceis. Mas também ocorrem muitos momentos de alegria, pelos resultados alcançados, pelas vítimas que se resgatam, pelos partos que se fazem, pelas vidas que teimosamente negamos à morte.

Desta vez os nossos companheiros Daniela, Luis, João e Luís não conseguiram levar a seu favor essa luta.

Mas estamos cá nós para lhes dizermos que nada foi em vão e que a melhor homenagem que com certeza eles desejam que lhes façamos é, precisamente, a de continuarmos a missão. Assim, o que muito fizeram nunca será em vão. Até sempre companheiros.

 

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