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Capa do jornal "Bombeiros de Portugal"

Director: Rui Rama da Silva

terça-feira,

26/03/2019

21:09

Um regabofe que nos ofende

13/03/2019 10:32:31

Anda muita gente a querer reinventar a roda, mas desta feita pelas piores razões. Na sociedade actual não é sério nem justo que uns façam tanto pelos outros e, ao invés, que alguns desses outros façam tanto, mas apenas por si próprios e com prejuízo para os restantes.

Essa situação ofende todos aqueles que lutam pela causa colectiva, graciosamente, voluntariamente, mas assumindo responsabilidades para além do que é razoável e justo, dando o seu tempo, os seus préstimos e chegando até a por em risco os recursos próprios e familiares.

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Todos conhecemos histórias de dirigentes de associações humanitárias de bombeiros que por muito tempo deram o seu melhor pelas instituições, com paixão e afinco, mas com enormes prejuízos para as suas actividades profissionais e que, houve casos, que acabaram até por comprometer a capacidade de acautelar boas condições de vida para a velhice.

Vêm-me à cabeça muitos nomes de grandes dirigentes que, na ânsia de lutar e garantir a sustentabilidade das associações descuidaram em a garantir para si próprios.

A abnegação desse esforço e sacrifício deveriam merecer mais respeito e consideração por parte da sociedade.

Por isso, é lícito e legítimo que nos questionemos sobre esta sociedade que não respeita o trabalho de quem faz tudo pelos outros e, pelos vistos, tolera ou deixa passar quem faz tudo por interesses pessoais com prejuízo do colectivo.

Sociedade que coabita com uma realidade que foi sendo conhecida ao longo dos anos, e agora de forma expressiva e escandalosa, e consentida, à falta de medidas concretas de repor a legalidade e a moralidade.

Que vergonha e repulsa nos assalta quando põem em causa o nosso trabalho, a clareza e a transparência do mesmo, acusando-nos das coisas mais estranhas e abjectas, quando vimos passar quem faz desmandos declarados e pronunciados, até à data sem culpa formada nem castigo.

Perante o exemplo cívico, levado ao máximo exponencial, pelos dirigentes das associações de bombeiros, mas nem sempre reconhecidos e acarinhados, como interpretar o verdadeiro regabofe a que assistimos.

Falamos dos milhares de milhões de euros que o banco estatal, e alguns em seu nome, foram atribuindo como créditos que rapidamente se verificou estarem transformados em casos de polícia.

As contas das nossas associações são públicas, são comunicadas às mais variadas entidades, podem ser consultadas em qualquer altura, mas, mesmo assim, quantas vezes somos vítimas das suspeitas torpes, ínvias e mal-intencionadas de alguns. Quando, na verdade, nos deviam tecer loas, pelo carácter voluntário e gracioso do nosso trabalho, mas também, pelo esforço, pela dedicação e pelos excelentes resultados, sabe-se lá com que sacrifício, de conseguir do muito pouco ou nada fazer muito.

Os gestores do dito banco, e foram muitos que o fizeram, principescamente pagos, deram um exemplo de irresponsabilidade, amiguismo e promiscuidade no mau uso dos dinheiros de todos.

Como interpretar então este verdadeiro regabofe que malbarata os recursos nacionais sem objectivo nem sentido no bem da comunidade.

Como perceber ou explicar que os dirigentes das associações façam precisamente o contrário. O que o Estado, todos os portugueses poupam ao manterem as associações para além do que é justo e razoável. Se fossem empresas facilmente seria concluído que se tratam de casos de falência. Mas como são associações de bombeiros, como os gatos, têm sete vidas. Mas á custa de quê e de quem?

Há muito que é reconhecida a excelência da gestão dos dirigentes de bombeiros na difícil, muitas vezes a tocar as raias do absurdo e do impossível, tarefa de fazer milagres durante as 24 horas do dia, os 30 dias do mês e os 365 dias do ano.

As contas que os dirigentes das associações fazem, como é sabido e provado, não são as mesmas que outros apresentam.

Os dirigentes dormem em cima dos problemas e só os abandonam depois de resolvidos ou pelo menos mitigados.

Como explicar-lhes, então, como foi possível chegar aqui, independentemente do que venha a suceder a seguir. Como foi possível que os gestores de um banco público tenham dado créditos a granel a amigos e conhecidos e, ao invés, quando as associações de bombeiros pretendem beneficiar de créditos regulares nem sempre conseguem obtê-los em condições aceitáveis tendo em conta as razões humanitárias e solidárias do seu destino.

É um regabofe que, antes de tudo, nos ofende!

                                                                                  Artigo escrito de acordo com a antiga ortografia

 

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