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Capa do jornal "Bombeiros de Portugal"

Director: Rui Rama da Silva

segunda-feira,

01/06/2020

13:11

Temos que estar preparados já

27/12/2019 18:17:56

Muito se tem falado ultimamente em alterações climáticas e nas implicações que elas já estão a ter, e virão a ter, no nosso meio nas mais diversas situações e domínios.

Desde logo, é ponto assente que muitas delas serão irreversíveis. Outras, porventura, poderão ser mitigadas ou ultrapassadas mercê da adoção de novas atitudes, novos hábitos, novas práticas de vida.

Em qualquer dos casos, essas alterações estão a implicar muitas mudanças e virão a provocar outras tantas.

E se associarmos às alterações climáticas a poluição que estará na sua origem ou pelo na sua área de influência direta constataremos ainda mais a necessidades das mudanças.

Segundo a OCDE, em 2016, a poluição atmosférica terá estado na origem de 2800 mortes no nosso país e, mesmo que esse valor esteja abaixo da média da mesma OCDE, não nos pode deixar indiferentes. Até por que se admite que até 2060 a poluição e o calor possam ocasionar entre 6 a 9 milhões de mortes por ano.

Seja por via da poluição seja por via das alterações climáticas percebemos que os números apontados não só assustam como fazem antever uma realidade muita diversa da atual, com mais riscos, porventura novas doenças e também um impacto cada vez maior dessas alterações na própria saúde humana, e na forma como vivemos.

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Fala-se de cada vez mais ondas de calor, fala-se em seca cada vez mais evidente, mais prolongada e profunda, fala-se em incêndios cada vez mais violentos, fala-se em cheias e inundações com novas configurações causadas, por exemplo, pela subida média do nível do mar.

Perante todas essas questões, é lícito perguntar se estamos devidamente preparados para as enfrentar, quer de forma preventiva, quer de forma ativa através do socorro.

São novos desafios que estão perante nós, bombeiros.

Os bombeiros não podem ser deixados fora de tudo isto. Desde logo, no debate alargado sobre essas temáticas e que deve envolver toda a sociedade e, por maioria de razão, no processo de readequação dos meios de socorro às novas realidades.

Estaremos perante o necessário processo de aprendizagem e adaptação mais rápido e mais profundo de toda a história moderna com alterações significativas nos padrões de vida e, até de sobrevivência.

As vulnerabilidades de hoje não serão as de amanhã. E mesmo aquelas que se mantenham irão assumir tais contornos e dimensões que as transformarão em situações bem diferentes das atuais.

Isto tudo quer dizer que, os bombeiros, não obstante estejam despertos para as novas realidades, e mesmo que sejam os últimos a intervir quando, como agora, já se esgotaram todas as outras capacidades e meios, devem estar na linha da frente destes novos horizontes e desafios.

Mas não basta dizer ou pretender que os bombeiros estejam preparados sem que lhes sejam criadas as condições de formação e meios para que possam responder cabalmente a esses desafios.

Ao longo do tempo, a evolução dos bombeiros foi sempre marcada por um querer estar sempre mais à frente. Foi assim, ao longo da sua história com a aprendizagem de técnicas e estratégias de intervenção. Foi assim, na adoção de novos equipamentos e viaturas capazes de responder aos novos riscos e situações. É assim no presente e, inevitavelmente, perante as mudanças que se avizinham e as alterações que já se fazem sentir, terá que ser assim no futuro já próximo.

A preparação para intervir em situações de colapso de estruturas, no salvamento e desencarceramento, no mergulho, foram áreas inovadoras que os bombeiros abraçaram, de início até clandestinamente, perante as estruturas oficiais. Só mais tarde, como sabemos, elas vieram a ser adotadas e apoiadas pelo Estado e, mesmo assim, de forma insuficiente ou até ausente.

Foram de facto os bombeiros que sempre se lançaram a novos desafios e ganharam novas competências, contrariando a inércia e a resistência à mudança do Estado.

Face às alterações climáticas há situações para que os bombeiros têm que estar preparados já. Eles sabem-no, estão atentos e irão lançar-se na busca de soluções e respostas a elas. Assim o Estado saiba cumprir também o seu papel acompanhando-os e apoiando-os nesse importante desafio.

Artigo escrito de acordo com a antiga ortografia

 

 

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