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Capa do jornal "Bombeiros de Portugal"

Director: Rui Rama da Silva

segunda-feira,

10/12/2018

21:29

O copo meio cheio ou meio vazio

06/12/2018 12:43:28


 TERRA TREME.jpgNa sociedade portuguesa ainda não é possível identificar e reconhecer a existência de uma cultura de segurança no verdadeiro sentido mas apenas laivos disso.

Não obstante os sucessivos alertas dos bombeiros para isso, essa inexistência é o resultado de anos a fio de medidas avulsas e dispersas sobre a matéria e não de forma estruturada e consequente.

É sabido que, com o tempo, e a crescente tomada de consciência sobre essa questão, o domínio da segurança tem vindo a merecer ganhos de causa. Evoluímos claramente nesse sentido mas ainda de forma titubeante. E mesmo que consideramos muitas vezes que essa evolução poderia ser mais ampla e assertiva do que tem sido, e até mais rápida, em abono da verdade há que reconhecer que alguma coisa tem sido feita.

Os bombeiros têm sido, sem dúvida, um grupo particularmente empenhado na existência e no desenvolvimento de uma cultura de segurança. Os inúmeros exercícios e simulacros que realizam amiudadas vezes são prova dessa militância e convicção. Primeiro, para testarem a sua própria operacionalidade e, em segundo, para sensibilizarem as comunidades e os vários grupos para essa cultura.

Melhor que ninguém, os bombeiros sabem, estão capacitados e fazem passar a mensagem de que, antes de mais, importa saber e poder prevenir.

Por razões diversas essa mensagem tem passado, por exemplo, para as empresas, para as escolas, para os equipamentos colectivos e tantos outros. Tem sido um verdadeiro caminhar, caminhando.

A TERRA TREME.jpgMuitos dos resultados alcançados, se calhar, devem-se mais ao empenhamento especial dos bombeiros e à consciência e boa vontade da própria comunidade escolar do que a uma estratégia nacional transversal estruturada no mesmo sentido. Por isso surgem discrepâncias, por exemplo, entre estabelecimentos escolares onde a cultura de segurança é um objectivo muito valorizado e com resultados e outros onde hipotéticas questões administrativas ou organizacionais, ou simples falta de vontade ou convicção, obstam a que se eleja o tema como prioritário e se dê provas disso.

O exercício “Terra Treme” realizado mais uma vez recentemente foi sem dúvida mais uma tentativa de fazer crescer em Portugal a cultura de segurança, neste caso na área específica da prevenção dos sismos.

Os bons resultados de ano para ano, mesmo que entendidos como ainda passíveis de crescer, e muito, dão nota de que algo vai mudando em Portugal e de que esse exemplo deve ser extensível a outros domínios da prevenção de acidentes.

Trata-se do copo meio cheio e meio vazio. Neste caso, o copo está meio cheio porque a adesão crescente ao exercício, particularmente exponencial da parte da comunidade escolar, faz-nos crer ser possível e desejável intensificar e diversificar este tipo de exercícios. E assim seja mais tida em conta a atitude pró-activa dos bombeiros nesse sentido. Copo meio vazio porque há ainda muito por fazer, muita gente por sensibilizar, contrariando a passividade e a inércia de muita gente e de muitas entidades, até oficiais, nessa matéria.

 

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