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Capa do jornal "Bombeiros de Portugal"

Director: Rui Rama da Silva

terça-feira,

12/12/2017

21:50

Novos documentos para novos desafios

07/02/2017 16:29:18

 

BNOT2017.jpgCom o final de mais um ano, pouco depois de serem aprovados os orçamentos e planos de actividade para o próximo exercício, e o início de outro ano, com o apuro de contas e respectivos relatórios do exercício findo, ficam mais uma vez patentes nas respectivas assembleias-gerais os esforços que as nossas associações continuam a fazer para levar a sua missão a bom porto.

Pela análise desse conjunto de documentos evidencia-se, de novo, com rigor e transparência, que a gestão levada a cabo pelos dirigentes das associações, pode e deve ser motivo de estudo por parte da sociedade portuguesa e, porventura, da parte das próprias instâncias académicas.

Esses documentos demonstram à saciedade a eficácia e o conjunto de boas práticas seguidas pelos dirigentes e que, só assim, tornam possível a manutenção da capacidade de resposta ao socorro e muitas outras actividades de carácter desportivo e cultural desempenhadas pelas associações de bombeiros.

Na verdade, que bom seria que as estruturas de ensino e estudo superior deste país se aplicassem com vontade à análise desse fenómeno. Não, porque os dirigentes desejem ou precisem que lhes teçam loas a propósito do seu trabalho, mas por que o país precisaria de saber melhor que tem no seu seio pessoas dedicadas, e até corajosas, sublinhe-se, que com afinco e dedicação servem as suas associações e, por essa via, as respectivas comunidades locais, para que, com magros recursos, mesmo assim, continuem a prestar aos seus concidadãos o apoio social e o socorro todos os minutos da hora, todas as horas do dia, todos os dias do mês, todos os meses do ano.

Esse esforço e essa determinação, que tantas vezes parece ser desvalorizada ou tida em conta como um mero dado adquirido, deveriam, ao contrário, ser tema de debate e de análise no seio da sociedade portuguesa.

O espírito voluntário, que anima e que é enaltecido no âmbito dos bombeiros, dos operacionais, deverá também ser tido em conta e enquadrado na lógica da missão desempenhada pelos órgãos sociais das associações e, em especial, pelos seus membros executivos.

Os bombeiros voluntários, assumidamente, correm riscos inerentes à sua disponibilidade para a missão de socorro e os dirigentes, por seu turno, também correm outros riscos, específicos, que decorrem da sua função de gestores associativos, com a assumpção de responsabilidades que poderão até traduzir-se em prejuízos pessoais e patrimoniais. Risco muitas vezes esquecidos mas que é bom lembrar. E que, igualmente, muitas vezes, também têm estado na base das recusas de novos candidatos a dirigentes. E a isso, importa ainda, acrescentar a multiplicação de funções e tarefas e a ocupação maior de tempo como factores que também dificultam a captação de novos elementos dirigentes.

Todos nós defendemos que a sociedade portuguesas deverá ser mais sensível e disponível para o cumprimento de funções de dirigente associativo. Mas, na impossibilidade de o fazer, no mínimo, tem a obrigação de enaltecer e valorizar quem o faz. É da mais elementar justiça que isso se faça, para que se mantenha o equilíbrio de funções e tarefas que importa manter e assegurar numa comunidade para bem de todos.

E, se nem todos poderão ou quererão assumir funções de dirigentes então que os que não o façam, pelo menos, ajudem e apoiem quem o faz.

A meu ver, a pior coisa que pode acontecer numa comunidade é não saber-se evidenciar e até premiar, pode dizer-se, quem assume e mantém tarefas em prol do bem de todos.

E, se já basta a tarefa muitas vezes ingrata de o fazer, pior será não contar com a solidariedade e o apoio dos restantes membros da comunidade.

A propósito dos documentos que aqui já referi, que na prática são o verdadeiro espelho da vida de cada uma das nossas associações, importa que sirvam para alcançar os desafios a que os dirigentes se propõem e sirvam igualmente de testemunho público do bom trabalho que os mesmos têm desenvolvido para bem de todos.

 

Artigo escrito de acordo com a antiga ortografia

 

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