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Capa do jornal "Bombeiros de Portugal"

Director: Rui Rama da Silva

terça-feira,

12/12/2017

21:49

Já chegámos aí

01/06/2017 14:54:31

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A sociedade portuguesa está sempre em mudança e, em função de muitas circunstâncias, do momento ou questões de fundo, vai ditando novas posturas, novos comportamentos e novas abordagens das mesmas ou de outras temáticas. Todos o sabemos, todos vamos acompanhando essa mudança com diferentes graus de envolvimento e participação.

No caso dos bombeiros e, em especial, no caso dos voluntários, essa mudança é, porventura, mais sentida e participada tendo em conta que, à partida, esse numeroso grupo de mulheres e homens é particularmente sensível aos termos e à amplitude dessa mudança.

A profusão de comportamentos e posturas na sociedade portuguesa, profundamente marcadas pelo egoísmo, é talvez a faceta mais marcante nos dias de hoje e que mais atinge, direi até que agride, aqueles que, ao inverso, dão o seu melhor em defesa e socorro do seu semelhante. Tudo isso numa lógica de dedicação e sacrifico em prol dos seus concidadãos, altamente contrastante com a postura dominante de outros, de alheamento, de distanciamento e até de inércia perante a sociedade.

Uma pseudo celebridade de um qualquer “reality show” televisivo passado terá pedido um “cachet” para marcar presença numa acção de solidariedade e justificou esse pedido com as despesas que tem para pagar.

Muita gente questiona-se, desde logo, sobre o valor, em si, destas personagens, apontando que, no passado, as pessoas valiam pelo que faziam mas agora parecerá, à primeira vista, que é só por aparecerem, muitas vezes em circunstâncias polémicas, nos monitores televisivos, e fico-me por aqui. De qualquer modo, de facto, tornam-se conhecidas, ganham a notoriedade, mesmo que oca e vazia, nomeadamente, através das redes sociais e das televisões. A notoriedade que, porventura, não conseguiriam alcançar por mérito de propósitos, de acção e trabalho realizados.

Muitas dessas personagens, antes desconhecidas, ganham espaço a partir dos “reality shows” que os catapultam para a fama, precária e fugaz, mas que, mesmo que por pouco tempo, lhes permitirá dispor de outros recursos, especialmente económicas, e atenções.

Na sua fase áurea de fama esquecem-se porém de que, apesar de tudo, também devem aos que os vêem essa oportunidade e experiência. E esquecem-se ainda que, até o reconhecimento por essa notoriedade, lhes deverá suscitar uma atitude solidária para quem lhes proporcionou essa mesma experiência, mesmo que depois também façam os seus negócios em aparecimentos e espectáculos.

Que pensarão os bombeiros voluntários de tudo isto? Como enquadrarão nas suas mentes esta mudança na sociedade portuguesa, eminentemente exibicionista e egoísta.

Os bombeiros voluntários, as mulheres e homens que fazem parte desse numeroso grupo, não podem deixar de manifestar a sua perplexidade, o seu espanto, e também tristeza, por verificarem que, enquanto eles, por vontade que lhes é própria e que mantém, continuam disponíveis para os seus concidadãos, há outros que escolhem caminhos diversos e que, salvo os “méritos” duvidosos que patenteiam na pantalha, com mais nada pretendem contribuir para o bem comum.

Esta nova realidade social só vem sublinhar e reforçar os méritos, isso sim, dos próprios bombeiros voluntários. A fazer pensar que a essa disponibilidade, a essa motivação e a esse espírito de sacrifico importa também responder com medidas que defendam e acarinhem essa mesma disponibilidade. A isso chama-se incentivos ao voluntariado, também adequados às mudanças que se têm verificado na sociedade portuguesa.

 

Artigo escrito de acordo com a antiga ortografia

 

 

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