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Capa do jornal "Bombeiros de Portugal"

Director: Rui Rama da Silva

segunda-feira,

22/10/2018

13:35

A eloquência dos números

01/02/2018 16:13:13

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A crueza dos números não deixa dúvidas sobre a realidade que a eles diz respeito, nomeadamente no universo das associações e corpos de bombeiros. E, quem o refere, com a devida precisão e eloquência é, precisamente, o Instituto Nacional de Estatística (INE). Os números em presença só demonstram a sinceridade e verdade com que os bombeiros têm alertado para os constrangimentos a que estão sujeitos no seu funcionamento.

Para que não restem quaisquer dúvidas sobre o enorme esforço desenvolvido pelas associações e corpos de bombeiros e a situação deficitária que apresentam, globalmente, em função da falta de ressarcimento real e total pelos serviços que prestam à sociedade, aqui fica a demonstração dos números relativos a 2016 publicados pelo INE no âmbito dos “Investimentos, Gastos e Rendimentos das Entidades Detentoras de Corpos de Bombeiros”, no continente e regiões autónomas.

As associações e corpos de bombeiros, em 2016, tiveram despesas de mais de 362 milhões de euros e receitas superiores a 322 milhões euros. Daqui, conclui-se, desde logo, registar-se uma diferença de quase 40 milhões de euros, um défice que evidencia as dificuldades sentidas e tantas vezes denunciadas pelos dirigentes dos bombeiros.

No mesmo período, 2016, os gastos com pessoal representaram quase dois terços das despesas, quase 211 milhões de euros.

Quando se fala tanto na necessidade da profissionalização dos bombeiros fica aqui também demonstrado que essa questão, quando possível e viável, é há muito equacionada e correspondida pelas próprias associações e corpos de bombeiros. É certo, todos o sabemos, que esses profissionais estão na sua larga maioria afectos ao transporte de doentes, por ser a área para a qual tem sido possível afectar receitas próprias. Como nada obsta, como também tem ficado demonstrado, que quando se torna possível e viável a constituição de equipas de intervenção permanente (EIP), seja no modelo tripartido ANPC/Município/Associação ou qualquer outro, as associações e corpos de bombeiros não deixam de os reivindicar e assumir, nomeadamente, em parceria directa com as autarquias locais.

A disponibilidade das associações e corpos de bombeiros para a constituição de equipas do género ou piquetes é total, como tem sido largamente dito. O problema reside apenas nas disponibilidades financeiras que terão que ser forçosamente disponibilizadas e afectas para tal, seja pelo Estado, seja pelas autarquias, em conjunto, ou em separado.

Por regiões, segundo o INE, a situação deficitária mais significativa, entre gastos e rendimentos, das associações e corpos de bombeiros, situa-se na Área Metropolitana de Lisboa (19,8 milhões de euros), seguindo-se, o Norte (8,6 milhões de euros), o Algarve (4,3 milhões), a Madeira (4 milhões), o Centro (3 milhões) e o Alentejo (meio milhão de euros). Apenas as associações e corpos de bombeiros açorianos apresentam um resultado positivo de pouco mais de meio milhão de euros.

Entre gastos/rendimentos referentes a 2016 os números das associações e corpos de bombeiros por região são os seguintes: Norte (103/94,4 milhões de euros), Centro (94/91 milhões), Área Metropolitana de Lisboa (82,6/62,8 milhões), Alentejo (43/42,5 milhões), Algarve (18,6/14,2 milhões), Açores (10,6/11,2 milhões) e Madeira (10,4/6,3 milhões de euros).

Em termos de despesas com pessoal, o Norte tem a dianteira com 55,7 milhões de euros, seguindo-se, Lisboa com 53,5 milhões, o Centro com 49,2 milhões, o Alentejo com 24,5 milhões, o Algarve com 12,7 milhões, a Madeira com 8,4 milhões e os Açores com 6,6 milhões de euros.

Ao nível de investimentos, a importância das associações e corpos de bombeiros não deixa de se fazer, não obstante as fragilidades da sua sustentabilidade.

Em 2016, as associações e corpos de bombeiros nacionais, incluindo continente e regiões autónomas, fizeram investimentos que ultrapassaram os 27 milhões de euros. No continente, os investimentos, mais de 25 milhões de euros, dividiram-se entre 11,5 no Norte, 5,4 no Centro, 2,7 na Área Metropolitana de Lisboa, 3,8 no Alentejo e 1,8 no Algarve. Na Madeira, o investimento foi de 785 mil euros e nos Açores de mais de 1 milhão.


Artigo escrito de acordo com a antiga ortografia

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